[A boa de hoje] Teu gato subiu no telhado


photo credit: Me now0 Cat cleaning itself. via photopin (license)

Teu gato subiu no telhado…Uuui! Gelei! “Que papo é esse? Quem é que morreu? O que aconteceu? Foram meus filhos? Meu marido? Faaaala!”. Foi o que eu consegui cuspir para fora, junto com a coca-cola que tomava, diante daquela pessoa que me olhava estranho.
– É que…o…o…
E a tal nefasta criatura não conseguia dizer mais nada. Gaguejava, tremia, e nada. Eu insisti, fiz pressão, e a pessoa continuava:
– É que…o…ã…
De vez em quando variava. No lugar do segundo “o”, dizia simplesmente “ã”.  Naqueles segundos de sofrimento, eu tentava entender o tal do “ã”, mas não conseguia. Será que era algum tipo de código? “Acho que faltei essa aula enquanto estava na faculdade. Deve ser algum tipo de código para decifrar a psicologia felina, alguma coisa que agora me faz falta”, pensei. O suor escorria em meu rosto e eu ali, pasma, de boca aberta, olhando para a mulher. De vez em quando a sacudia, histérica: “faaaala, faaala, se não te esgano mulher!”. E nada. Só os mesmos “o…ã”.
Saí correndo! Não sabia nem para onde estava indo, mas larguei a bolsa ali mesmo e quase ganhei o recorde dos 100 metros rasos, de tão rápido que corri. Cheguei logo  no táxi e a mulher veio junto, esbaforida atrás de mim. Muuuito atrás de mim, diga-se de passagem, porque não é a toa que pago a academia de ginástica, né? Já botava a perna para dentro do táxi quando a “preciosa criatura” me segurou.
– Não adianta mais correr, onde você vai?
“Como assim não adianta mais correr?”, pensei. E continuei: “ih, desengasgou, falou alguma coisa! Coisa que não me agradou! Ai, ai, ai, ai, ai, ai,ai, ai, ai ,ai, muita calma nessa hora”, falei com meus botões, se é que os meus podem ouvir. Olhei para ela e estanquei. O choro veio em seguida. Os soluços também. O desespero também. Quanto mais chorava, mais gente parava a meu redor. Alguém me ofereceu um lenço, outro já queria me levar em casa…Em meio aos gritos e soluços, a pessoa que me acompanhava dizia:
– Não faz assim, tudo vai se resolver, para de chorar…
E eu não conseguia parar de chorar. Achava que tinha ficado viúva! Ou que algo muito grave tinha acontecido com as crianças. Talvez um desabamento na escola? De repente, não mais que de repente, toca o telefone:
-Mãe, o pai tá perguntando se pode dar pastel para as gurias….Ah, eu posso dormir na vó? Já falei com ela e ela disse que sim. Deixa mãe, deixa…
Era meu filho. Perguntando se o pai poderia fazer qualquer coisa com minhas filhas. Então estavam todos bem! O gato do telhado não era eles…Mistério…Não aguentei. Joguei minha bolsa no chão, que a essas horas já estava em minhas mãos (você se lembra que lá atrás na história saí correndo e a deixei para trás, não lembra? ), peguei a criatura pelo braço e gritei:
– Ô filhote do capeta, que gato é esse?
– É o teu porquinho da índia! Morreu…
– Porquinho? Mas não era gato? Disse, espantada. E continuei:
-E eu não tenho porquinho da índia!
A mulher soltou-se, olhou-me nos olhos com ar de espanto e disse:
– Você não é a Cláudia do Dindo?
Aí minha raiva subiu:
– Não põe meu dindo nisso!
Em seguida lembrei que não tenho dindo. .A coisa tava muito estranha…A senhora repetiu:
– Você não é a Cláudia do Dindo? Leia com ênfase no não.
Pronto, engasgou de novo, imaginei.
– Olha, eu sou a Cláudia “de mim mesma”. Prazer!
A dona empertigou-se, sorriu amarelo e saiu de fininho. Fiquei ali, com a cara inchada, apatetada, lenço na mão. O lenço devolvi, de cabeça baixa. Umas cento e cinquenta pessoas, mais ou menos, saíram de igual forma…
Rsrrsrsr. Se non è vero…
Beijos e me liga!

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