O carnaval e a moda – relação mais que feliz


(Fon Fon | J. Carlos)

Carnaval! Quem ama? Quem vai? Quem pensa em produção? Ou é só colocar uma roupa confortável e seguir o bloco para entrar no clima? Te confesso que não sou muito de pular carnaval não, mas simplesmente adoooooooooro ao infinito as cores, as fantasias, a criatividade dos carnavalescos, do povo que se fantasia para ir curtir uma gandaia básica. 🙂

Você sabe que o Carnaval é uma festa muito antiga e que não é possível precisar suas origens? O que temos em comum entre as várias versões é a inversão de papéis – reis se despiam dos símbolos da realeza, pessoas escravizadas viviam um dia de rei, homens se vestiam de mulheres-, a celebração da carne, como se fosse necessário um período para dar uma banana 🙂 para as convenções sociais. Aliás, é aí que a igreja católica entra na história e determina que o Carnaval seja celebrado antes do período de jejum e purificação da Quaresma.

Mas, meu papo aqui com você não é sobre a história do Carnaval. É sobre roupa, acessórios, moda! O que você ama usar? Faz a própria fantasia ou opta por comprar pronta? Ou nada disso: um pouco de brilho, uma tiara ou acessório de cabeça bastam para sair feliz e saltitante atrás do trio elétrico?

Eu adoro ver as fantasias invadindo os espaços públicos: nas ruas, ônibus, metrô é possível cruzar com uma galera vestida para celebrar! Com esse renascimento do Carnaval de rua em São Paulo, além de outras cidades que há mais tempo descobriram a alegria de ocupar os espaços com muito glitter e serpentina, como o Rio de Janeiro, é uma festa para os olhos esse pessoal desfilando feliz por aí . Sem falar nas Cidades Históricas de Minas Gerais, em Recife e Olinda, que são nota 10 no quesito “vou levar a festa para a rua!”. Há quem coloque uma tiara estilizada na cabeça e vai atrás do bloco sem medo de ser feliz e há quem pesquise, planeje e invista numa fantasia para o pré-carnaval e a festa em si. Aliás, o Carnaval começa quando mesmo? Atualmente, assim que pulamos as sete ondas no primeiro dia do ano, não parece?

Diferentemente da tradicional Festa em Veneza, na qual as máscaras sempre foram as estrelas centrais da fantasia, no Brasil é a irreverência, o colorido, o uso de brilhos e acessórios divertidos que dão o tom da moda carnavalesca.

(Máscaras em Veneza | imagens: Pinterest)

Moda e Carnaval

Foi a partir de 1870 que as fantasias passaram a ser utilizadas, com a intenção de dar um tom mais divertido à festividade. Até a década de 30 as roupas de uso comum eram adaptadas – tingidas ou enfeitadas – para serem usadas no Carnaval, pois os materiais mais nobres, além de encarecer a confecção de modelos especiais para o período, eram destinados sobretudo às escolas de samba. Quando é Carnaval estamos no verão, por isso roupas leves são preferência, certo? Depende. Na atualidade é assim, mas no começo do século XX mesmo os homens ao se vestirem de mulheres, utilizavam o dress code comum às damas da época.

Ri muito dessa foto. Não é divina???

No decorrer do século XX é possível notar que as inspirações da moda para o Carnaval eram europeias, com mulheres fantasiadas com roupas tradicionais. Infelizmente, não dá para saber as cores usadas até metade do século passado, o que deixa no ar a curiosidade sobre tonalidades preferidas pelas moçoilas no Brasil.

Além de roupas tradicionais europeias, também importamos as fantasias de Colombina, Arlequim e Pierrot para a festa no país. Fico aqui pensando o que esses três, que vivem um triângulo amoroso, com uma aura trágica – Pierrot ama Colombina que ama Arlequim que só quer saber de ninguém – tem a ver com a alegria e a leveza da do Carnaval?! Melhor deixarmos essas fantasias de lado, não é mesmo! rs…  

(Anos 20: Revista Para Todos, carnaval 1927 – 4 capas, J. Carlos)

(Anos 30)

(Anos 40: concursos, bailes e festa no interior do país)

(Anos 50: concursos, bailes e carnaval de rua)

(Anos 60: cores, roupas menores e ala de escola de samba)

(Anos 70: bailes de carnaval)

Não são lindas essas fotos? Fico babando. Ai, ai…

Destaque e referência no quesito luxo – nota 10! – o carnavalesco Clóvis Bornay foi responsável por trazer mais brilho e riqueza ao carnaval carioca. Olha que escândalo: seu trabalho era tão reconhecidamente especial que ele passou a ser hors-concours nos concursos, não concorrendo mais: ele só aparecia com toda pompa e circunstância para desfilar com sua fantasia arrasadora e humilhar os mortais que lá estavam participando do concurso. Clóvis morreu em 2005, deixando uma grande contribuição à valorização da festividade.

(Clóvis Bornay)

Eis que nos anos 80, a explosão de cores chega ao carnaval brasileiro. A década, na moda, é marcada pelo exagero nas formas e cores, um respiro necessário pós ditadura. Todo excesso é permitido, seja no uso de tons fortes, florescentes, seja no uso de muita ou pouca roupa.

(Anos 80: cor, fantasias, brilho)

Foi nesse período que elas, aquelas que nos deixam sem ar pela exuberância e fôlego na avenida, as rainhas de bateria passaram a ser destaque. Monique Evans puxou o cordão, que teve Xuxa, Luiza Brunet, Magda Cotrofe – por onde anda a moça, alguém sabe? – como destaques dessa época.

(Anos 80: as rainhas de bateria chegaram para reinar até hoje)

Anos 90

Na década de 90, musas da mídia pautaram as fantasias de Carnaval, como Tiazinha, personagem de Suzana Alves, e Feiticeira, caracterizada por Joana Prado. Além delas, a axé music tomava conta do país e, consequentemente, muita gente “desceu na boquinha da garrafa” com o micro shortinho de Débora Brasil e Carla Perez, integrantes do É o Tchan. Daniela Mercury ganhava o coração brasileiro, os trios elétricos estouraram e todo mundo tinha um pouco de Chicletero.

(Anos 90: febre dos abadás e explosão da Axé Music)

Aliás, os abadás, camisetas estilizadas para cada trio, são atualmente usadas nos camarotes da Sapucaí ou do Sambódromo de São Paulo. Descobri, pesquisando, que tudo começou com a mortalha, que aos poucos foi ganhando cores, estampando palavras divertidas ou de liberdade em seus tecidos e foram “involuindo” até chegar ao abadá, nos anos 90.

(Anos 2000: carnaval de rua | Fotos: Liliane Callegari)

Atualmente, para a minha e sua felicidade, além das fantasias disponíveis em lojas do comércio popular – alow, 25 de Março (SP)!, alow, Saara (RJ)! – e outras, algumas marcas criam minicoleções só para a festa momesca. Momesca! Me puxei nessa hien, hein???  🙂

O comércio percebeu que a moda e o Carnaval são nichos de mercados que propiciam um casamento lucrativo. A gente é quem ganha, vocês não acham?

Marcas conhecidas como a Farm já investem em modelos para a época há algum tempo, porém, marcas independentes vêm chegando e ganhando nossos corações.

Para 2017, além das fantasias tradicionais de personagens de HQs – Mulher Maravilha tá dando pinta em tudo quanto é bloco! -, perucas da Sia, a cantora pop que usa uma peruca metade loira, metade preta, unicórnios e sereias têm desfilado pelas ruas e festas carnavalescas. Os tutus do balé vestem homens e mulheres democraticamente, mas boa parte das mulheres elege a dupla shorts e blusinha confortável ou um vestido fresquinho para pular Carnaval, deixando o toque festivo por conta dos acessórios, sejam tiaras de flores, chifres de unicórnio e o tão fervido glitter! É muito brilho, gente! Glitter tem batido recordes de vendas este ano, inclusive os comestíveis, utilizados em receitas culinárias, por quem tem alergia ao brilho comum e também deseja evitar que as partículas plásticas que vão embora no banho contaminem oceanos – dá para amar carnaval e ter atitude consciente! Repara essas lindezas que encontrei no Pinterest:

(imagem: Pinterest)

(Tiara de unicórnio e make sereia | imagens: Pinterest)

Nesse passeio pelo universo da moda durante vários carnavais pude perceber que vivemos a melhor época para extrapolar a criatividade e lançar mão de cores, brilhos, fantasias, roupas do dia-a- dia adaptadas ou não, com acessórios incríveis ou apenas tendo como dress code a alegria de quem quer ir atrás do bloco, do trio elétrico, do baile em clube ou do desfile na avenida. É a era da liberdade, para curtir o carnaval como se pode ou se quer. Agora, quero saber: em qual tendência você vai apostar nesse Carnaval?

Beijos e me liga!

 

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