Conversas com uma grande amiga 1


 

Amiga:

Que bom te ver hoje, novamente! Eu preciso de ti para desabafar, trocar idéias, sorrir…Ando meio cansada, sabe? Cansada de remar contra a maré, amiga. Sabe aquela coisa de ficar lutando, lutando e as coisas não acontecerem?É…É isso. Confio em mim, no meu potencial, em minhas capacidades, mas está difícil confiar nos outros.  Quanta acomodação, meu Deus! Todo mundo se acha merecedor, mas ninguém mexe a bunda para nada! Todo mundo quer dinheiro, quer viagens, quer  uma mansão na praia, mas e trabalhar para isso? Querem? Nós não somos ilhas, não vivemos isoladas, né amiga? Precisamos umas das outras para tudo. E o que fazer se a outra não ajuda? Quando chamei o eletricista, na semana passada, você sabe o que aconteceu, não sabe? Ele marcou e não foi. Fiquei cinco dias sem poder trabalhar direito. Tive que recorrer a você, que me salva sempre, para emprestar um cantinho de seu escritório, onde montei meu computador. Porque ele não foi? Desconheço o motivo, amiga. A única coisa que sei é que se as pessoas não puderem trabalhar, o país para.

Quando entro em um relacionamento pressuponho que ele seja uma via de mão-dupla, senão não seria relacionamento, você não acha? Uma relação necessita de dois lados, do empenho dos envolvidos. Sem o envolvimento, desanda como os bolos retirados antes do tempo do forno. Você não se sente assim, amiga? Você me entende? Quero dizer que tudo na vida exige empenho. Falo para meus filhos, diariamente: se você se dedicar pouco, a vida vai te devolver pouco. O dez na prova só virá se você se empenhar. Você só aprenderá a andar de bicicleta se treinar. Ninguém disse que será fácil. Talvez você caia dessa bicicleta algumas vezes, rale os joelhos…Normal. Faz parte da vida cair para depois levantar. No entanto, não há outra alternativa. Desistir não é uma opção! Quer alguma coisa? Faça por merecer!

Quando decidi que ia fazer meu vestibular para aquele curso, lembra amiga? Aquele que nos rendeu boas risadas? Você achava que não combinava comigo, que exigia uma postura diferente da minha. Eu fiquei chateada…Achei que você não me achava séria o suficiente. Mas então, quando me decidi pelo curso, precisei de empenho, muitas horas de estudo. Abdiquei de muita diversão, até de sair com você, só para poder estudar. Justo eu que te amo, amiga! Fiquei dias sem te ver, me dedicando a um propósito. Queria atingir meu intento. Pois é esse o ponto: dedicação! Temos que nos dedicar quando queremos alguma coisa. É simples assim.

Nós não nos amamos e nos dedicamos uma a outra mesmo com todos aqueles compromissos infindáveis que nós temos? Mesmo com filhos, família, outros amigos, nós nos amamos e continuamos juntas. É disso que estou falando. De comprometimento e da falta dele! Você me entende? É, eu sei que entende. É uma postura infantil, você não acha? Criança que fica esperando que a mãe lhe traga a mamadeira, troque suas fraldas, arranje tudo para ela. Quando levo meus filhos para a escola, não é raro que algum esqueça a mochila, o dever de casa, o lanche. Quando pergunto como eles foram esquecer de coisas tão importantes, sabe o que eles me dizem? “Achei que tu tinhas pego, mãe.”  Beeem, eles são crianças…

Tenho amigos que até hoje não entendem como seus pares lhes deram um chute na bunda, depois de anos de namoro ou casamento. Ora, cansaram! Cansaram de amar sozinhos, de culvitar a relação pelos dois! É isso aí. Relação tem que ser cultivada, como flor. A flor nasce em uma planta que antes foi pequenina e, antes de ser pequenina era semente. Ela não nasce por geração espontânea! Alguém teve que escolher a semente, preparar a terra, adubar, cavar, regar…

Amiga, só você mesma para me ouvir, ouvir minhas ranzinices. Outras dariam as costas e me deixariam aqui. Mas me diga, estou errada? Agora tenho que ir, a vida continua, amiga! Obrigada, como sempre, pelo apoio que me dás.

Love You,

Clau

O texto acima foi escrito em 2009. Continua tão atual que resolvi resgatá-lo. Fala de tanta coisa…Dedicação aos relacionamentos, comprometimento com as pessoas, com a vida, fala de amor, de amizade, de merecimento – ou não! – de busca pela felicidade…Na época em que foi escrito, serviu como forma de catarse, de expulsar de dentro de mim alguns monstrinhos que me atormentavam. Passados os anos, muita coisa mudou. Não na forma das pessoas lidarem com as coisas, mas no meu jeito de percebê-las.  É aquela coisa: nós não mudamos as pessoas se elas não desejarem. Se estivermos insatisfeitas, mudemos nós para podermos lidar com as diversas situações que a vida nos apresenta. Meu olhar, hoje, é mais amoroso, mais tolerante. Daquela época para cá perdi meu pai, perdi amigos, conheci gente bacana, outras nem tanto. Fiz vários cursos, me tornei coach, atendi muita gente e aprendi que as pessoas só dão o que podem dar. Entendi que estamos todas em desenvolvimento, burilando nosso caráter, acrescentando capacidades em nosso rol de competências. Nunca vamos deixar de crescer, nunca. Com vinte ou com oitenta anos, estaremos em constante desenvolvimento. E isso é maravilhoso! Imagina se em determinado ponto de nossa existência ficássemos prontas para tudo? Que horror!

E você, o que acha?

Ah, e se você quiser ler outro texto bacana, sobre como nossa autoestima fica abalada depois dos 40, clique aqui.

Beijos e me liga!


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Um pensamento em “Conversas com uma grande amiga