[Resenha] Prata do Tempo – Leticia Wierzchowski


Livro: Prata do Tempo

Autor: Leticia Wierzchowski

Capa: Virgílio Neves e Fábio Nunes

Foto de capa: Miro

Editora: Record

Ano: 2008 – Terceira edição

Páginas: 279

ISBN: 978-85-01-08005-9

Sinopse: publicado originalmente em 1999, este romance tem como personagem principal uma casa construída à beiraram e à beira do delírio. Uma casa que, na sua falta de lógica, lembra um labirinto. Ao circular por todos esses corredores, ao se perder nos muitos aposentos, o leitor visitar quase um século da história da família Serrat.

 

Posso dizer? ARREBATADOR! A sinopse não faz jus ao livro. Ele é muito mais do que isso. Letícia deu uma aula de como escrever bem, construindo personagens fortes, que amam desmesuradamente, que sofrem de igual forma. As palavras foram estudadas com cuidado, escritas na medida certa. Nada sobra e nada falta. Escritores novatos (e isso serve para mim também!), tomem nota disso.

É um livro que vai fazer você chorar, então prepare os lenços. Eu chorei um Niágara com as emoções da família Serrat! E entenda que não é um livro piegas, clichê. Eu entrei tão profundamente na história que sentia as dores e os amores de todos os personagens, profundos, ricos, simples ao mesmo tempo. Leontina, Augusto Serrat, Eleanor, Alice, Laila, Inácio, Theodoro, Ariana, são todos apaixonantes e vão te deixar com saudades quando você acabar a história. Eu passei dias com o livro na cabeça, tentando imaginar o que seria dos personagens depois daquele ponto final.

Laila narra essa saga. Ela foi uma menina solitária, órfã de mãe em tenra idade, filha de um pai ausente. O pai, Augusto Serrat, vive em viagens de negócios, porque não aguenta passar muito tempo na casa em que se tornou viúvo e onde residem as lembranças de sua amada Eleanor. Quando regressa ao lar, Augusto proporciona imensa alegria a Laila, porém, assim como chega, se vai, rapidamente, para não dar tempo das lembranças o tomarem por completo. Em  meio a tristeza por uma das partidas do pai, Laila toma conhecimento de um tempo em que ele ficou longe por dez anos, sem enviar notícia alguma. A partir daí começamos a entender a história da família.

Sabemos desde o início que Augusto é viúvo, mas sabe o que acontece? A gente esquece disso. Acabamos acompanhando sua história de amor como se ela fosse durar para sempre. E de certa forma,  dura. É um amor que suplantará a morte de Eleanor.

Para conhecermos a história de Augusto e de Eleanor, antes somos encantados  pela vida do casal Leonina-Avô (me perdoem, mas esqueci o nome desse personagem. Ele é poucas vezes mencionado no livro). Não foi uma vida de sonhos, não foi um casamento realizado por amor. Sabem aqueles arranjos que eram feitos antigamente? Moça na idade de casar (isso queria dizer estar entre 16 e 18 anos!) é entregue ao primeiro que ofereça condições de sustentar a família? Pois foi assim que aconteceu. Leontina casou-se por obrigação e teve um crápula por marido. A vida passou lentamente até  o momento em que a personagem trouxe ao mundo seus dois filhos queridos: Augusto e Alice.

Augusto era um espírito livre, menino que cresceu aproveitando a vida perto do mar, curtindo o sol, sentindo-se amado pela mãe. Estudava de má vontade, porque via na rua atrativos maiores. Quando obrigado a estudar longe de sua cidade, fugiu do internato e ganhou o mundo, voltando dez anos depois, já casado. Alice foi a tia solteira, doce, divertida e com algumas esquisitices, que cuidou de Laila nas ausências de Augusto.

Nessa história, Inácio é a paixão que arrebata Laila e a leva a ter uma vida plena de amor. Théo é o filho do casal. O menino tem um dom especial (descubra no livro que dom é esse!). A partir dele , muitos fatos importantes irão se desenrolar. Ariana, sua irmã, é a moça mais bela de toda a região. Bela e levemente interesseira. Ela aceita presentes de homens apaixonados, dando-lhes esperanças de serem correspondidos em suas investidas.

Várias gerações da família Serrat irão residir na casa-labirinto, construída por Augusto para sua  Eleanor. A casa tem proporções gigantescas e as pessoas se perdem lá dentro. Cada recanto tem suas memórias, cada espaço viveu uma história que vale a pena ser contada.

Uma palhinha do início do livro: ” Foi por haver um precipício antes e depois de mim que estou aqui, e é dessa solidão plena de alturas que eu vou narrar esta história. Aliás, está é uma história sobre o tempo, história que brotou quando duas almas se encontraram e, como estava escrito nos desígnios do mundo, uniram suas vidas num único caminho. Esta é a uma história de paixões, de quartos vazios, de umbrais e segredos, uma história tecida de orvalhos e brisas, frágil, mas com a luz de todas as manhãs que já nasceram sob o céu.” (pg. 9)

Todos os personagens são incrivelmente bem descritos. Me apaixonei por Augusto na primeira passada de olhos no livro. Vai ser difícil, de agora em diante, encontrar outro moçoilo igual a esse! Eu poderia contar muito mais, mas corro o risco de dar o famoso spoiler. Então, digo mais uma coisa: não deixem de ler. É o melhor livro que li nos últimos quatro ou cinco anos!

 

Beijos e me liga!

 

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