[Eu vi!] O Pecado Mora ao Lado


Ficha técnica:

Título original: The Seven Year Itch

Direção: Biilly Wilder

Elenco: Marilyn Monroe, como a garota que mora ao lado; Tom Ewell, como Richard Sherman; Evelyn Keyes, como Helen Sherman; Burch Bernard, como filho de Richard Sherman; Oscar Homolka, como Dr. Brubaker; Marguerite Chapman, como Miss Morris; Robert Strauss, como Mr. Kruhulik; Carolyn Jones, como Miss Finch; Victor Moore, como o encanador; Kathleen Freeman, como a mulher do restaurante vegetariano.

Roteiristas: Billy Wilder

Produção: Charles K. Feldman e Billy Wilder

Trilha sonora:

Estúdios:   20th Century Fox

Gênero: comédia

Lançamento: 2 de março de 1956
Sinopse:Richard Sherman (Tom Ewell) é um editor de livros que sente-se “solteiro” quando a mulher (Evelyn Keyes) e o filho (Burch Bernard) viajam em férias. Ele começa então a ficar cheio de idéias quando uma bela e sensual jovem (Marilyn Monroe), que é modelo e sonha ser atriz, torna-se a sua vizinha.

A sinopse é curtinha, mas não me perguntem o porquê. Não consigo imaginar os motivos que fizeram a produtora divulgar tão pouco de um filme  sensacional. Engraçado, contou com a excelente atuação de Tom Ewell e com a presença de Marilyn, fazendo o papel de loira burra, que a consagrou no cinema. A atriz era tudo, menos burra, porém essa imagem iria persegui-la durante toda a vida. Foi-lhe conveniente em determinada altura de sua carreira. Depois, atrapalhou sua busca por papéis mais consistentes, dramáticos. Maaas, essas são outras histórias. Vim falar do filme, não da atriz.

Vamos começar pelo título do filme. The seven year itch, ou coceira dos sete anos, faz referência à crise dos sete anos que passariam todos os casais e que atingia o casamento de nosso protagonista. A “coceira” estaria levando Richard a ter vontade de trair a esposa com a vizinha nova, loira, gostosona, sexy.

Richard Sherman é um homem pacato, fiel, pai de família, que se vê sozinho na cidade enquanto a esposa e o filho se divertem em um acampamento de verão.  Logo no primeiro dia da ausência da família, Richard chega em casa e começa a falar sozinho, vangloriando-se que teria paz, pois ninguém iria fazer perguntas cretinas a respeito de seu trabalho,  nem haveria barulho de televisão na sala. Ele tenta se convencer que está livre e relaxado, mas que não irá cair na esparrela de se comportar como todos os maridos infiéis e malandros, que esperam a esposa sair de casa para traí-las, exagerarem na bebida e no cigarro. Ele não! Ele era um homem de bem, correto. Não cairia nesse erro imoral. A noite vai passando e ele tenta se concentrar na leitura de um manuscrito exatamente sobre a “coceira” da infidelidade.

Enquanto lê, Richard  imagina que está conversando com a esposa.  Na “visão”, a esposa Helen não tem ciúmes, mas o protagonista insiste que isso deveria mudar, pois ele  possuiria  um charme especial, irresistível. Segundo Richard, todas as mulheres que o conheciam se apaixonavam profundamente, algumas chegando até a enlouquecer. Haveria  algo animalesco dentro dele, algo difícil de resistir. As cenas são hilárias, ainda mais porque o ator estava muito longe de possuir atrativos físicos.

Quando a nova vizinha toca a campainha do apartamento de Richard, se desculpando por ter perdido a chave da porta da frente, os dias do personagem virarão de cabeça para baixo. Ela é muito sexy, parece desamparada, ingênua. Ele não para de pensar na garota. Ao mesmo tempo, entra em crise por estar pensando em trair a esposa. Richard começa a beber e a fumar, em razão da ansiedade. Ao mesmo tempo, fica repetindo que não é homem de beber e fumar só porque a esposa não está em casa. Muito engraçado!

As cenas em que Richard fala sozinho tentando se convencer que nada de mal está acontecendo são igualmente hilárias. Ele cria uma paranóia em torno do tema traição e essa paranóia me rendeu muitas risadas. O personagem imagina que a esposa irá flagrá-lo com a garota interpretada por Marilyn, também que a esposa o está traindo com seu melhor amigo. Tudo com riqueza de detalhes.

Confesso: quis assistir o filme para ver a famosa cena do vestido esvoaçante. Sabe? Aquela em que Marilyn para em cima dos dutos de ventilação do metrô e tem sua saia levantada pelo deslocamento de ar realizado pela passagem do trem?

 

Sabe o que aconteceu? Decepção total. Ela foi muito menos reveladora do que essas fotos acima. No filme apenas aparece parte das pernas de Marilyn, sem as caras e bocas que todas nós conhecemos. Essas cenas apimentadas nunca foram ao ar. Originalmente, a sequência foi filmada na Lexington Avenue, em Manhattan. Porém, o diretor não aprovou o resultado e resolveu rodá-la novamente em estúdio. Em minha opinião, deviam ter escolhido as cenas originais, mas quem sou eu para meter o bico onde não sou chamada, não é mesmo? 🙂 Olhe você mesma e depois me conte suas conclusões.

Essa foi a única decepção que tive com o filme. O  mesmo aconteceu com Psicose. Lembra da cena do assassinato no banheiro? Aquela  em que uma mulher está no chuveiro, de repente ouve-se uma música que deixa nossos cabelos arrepiados? Sentimos que algo vai acontecer. Uma mão segurando uma faca aparece em cena, em sombras. A cortina do box é aberta, a personagem grita de pavor. A cena corta para a mão com a faca, subindo e descendo. Entendemos que uma assassino está esfaqueando a moça. Foi tããão realista a filmagem que eu ria ao invés de me apavorar. 🙂  Pois essa é a comparação.

Fora isso, posso dizer que amei o filme, as referências  ao Retrato de Dorian Gray, Rachmaninoff, Ravel, também ao filme A um passo da eternidade. Amei o texto. Amei o ator principal falando consigo mesmo, tentando se convencer de que não era igual aos outros homens. Adorei o humor leve, a subversão ao Código Hays. Para quem não sabe, Código Hays foi um conjunto de regras de censura adotados nos EUA na década de 30, por influência de William H, Hays, advogado presbiteriano que ficava corado ao enxergar os tornozelos das mulheres. Com a imposição de “bom comportamento”, ficou proibido que obras cinematográficas falassem de drogas, de sexo, de homossexualidade e outros temas considerados sujos, pouco éticos. Acontece que o diretor Billy Wilder estava pouco se importando com isso. Assim, mostrou no filme um homem com desejo de trair a esposa, mostrou uma loira devassa fazendo sugestão de nudez em uma das cenas, mostrou fortemente o desejo sexual.

Continue aqui lendo curiosidades a respeito do vestido que Marilyn usava.

Quanto aos atores, achei Tom Ewell perfeito para o papel. Atuação consistente e engraçada. Foi o melhor papel de sua carreira.Depois dele, trabalhou com comédias televisivas de menor sucesso. Marilyn também esteve bem como loira gostosa e burra, com voz de criança.

Me diverti  com esse clássico do cinema. Valeu muito passar quase duas horas na frente da tv. Recomendo.

Beijos e me liga!

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