O primeiro vestido a gente nunca esquece!


Quando falamos em Mesopotâmia e Antigo Egito, o que te vem a cabeça? Terra entre rios, Sumérios, Múmias, hieróglifos, o chato de seu professor de história? Para mim também, tirando a coisa da chatice. Desculpe, mas eu adorava as aulas de história, principalmente a história antiga. Essa coisa de múmias e faraós me deixavam fascinada, com os olhos esbugalhados e o coração batendo mais forte. 🙂 Não, tá…Tá bem…Não taaanto assim. 🙂 Tira a parte dos olhos esbugalhados. De qualquer forma, gostaria que você entendesse que sempre amei história e via a disciplina com diversão, como se o professor estivesse narrando um romance. Para mim, as aulas de história podiam ser muito divertidas.  E, convenhamos, múmias, faraós, pirâmides rendem bons livros de aventura, não rendem? ::) Eu acho. E filmes também. Épicos, cheios de traições, príncipes lutando pelo poder, uma loucura!

Acontece que a Mesopotâmia e o Egito também são palco de algo que quase ninguém sabe: foi nessa região que as roupas passaram a ter função ornamental e não mais apenas a função de proteção contra as intempéries. Foi na região onde se situa hoje o Iraque, e no Egito, que a mulherada soltou a franga e passou a curtir se enfeitar, botar roupa bonita, de tecidos diferentes. Sabe o motivo? Porque haviam sido descobertas fibras como a lã, o linho e a seda. Ahhhh…Agora tá explicado, né? Como resistir a um bom corte de seda? 🙂

O vestido mais antigo do mundo é esse abaixo:

Ou o que restou dele. Foi encontrado por volta de 1913 em uma tumba egípcia da Primeira Dinastia, em Tarkhan,  e tem mais de 5000 anos. Tecidos costumam não sobreviver à passagem do tempo, porém esse foi valente. Não se sabe bem o motivo pelo qual ele foi parar num canto de um museu, junto com outros trapos velhos, depois de ter sido descoberto pelo arqueólogo Flinders Petrie. O que é sabido é que a vestimenta foi encontrada no saco de panos velhos, em 1977, por especialistas em conservação (ironia: eles eram especialistas em conservação e deixaram esse pano valioso perdido por 64 anos! Ahahahaha! Assim até eu sou especialista em conservação. 🙂 🙂 🙂 ) e enviado para o museu Victoria e Albert, em Londres. Hoje está exposto no Museu Petrie de Arqueologia Egípcia, na mesma cidade.

O vestido Tarkhan, como ficou conhecido, era costurado e plissado de uma forma que apenas grandes costureiros saberiam fazer, o que é indício de ter pertencido a nobreza egípcia, pois apenas nobres tinham capacidade econômica para obterem o luxo de uma roupa feita sob medida. Os pobres usavam pedaços de pano simples amarrados na cintura, como tangas.

Ver mais sobre plissados aqui e aqui.

As  pregas estreitas do vestido, decote em v e mangas estruturadas, demonstram uma habilidade fora do comum. Ele só poderia ter sido produzido numa sociedade rica e próspera.

Egípcias usando o Oskh

Achou apagadinho? Agora tente imaginar esse linho com uma gola larga – o Oskh – coberta de jóias multicoloridas, ou de muito ouro, jóias ricas, brilhantes. Imagine a mulher com maquiagem, olhos demarcados. Já deu uma melhoradinha nesse visual, não deu? Pense que esse foi o primeiro vestido que se tem notícias e que serviu de ornamentação. Não existia o conceito de moda, obviamente. Existia usar o que era bonito. E entenda que as mulheres egípcias gostavam de maquiagem. Tudo ficava colorido, enfeitado. O vestido servia como base neutra para o que viria por cima.

Elizabeth Taylor interpretando Cleópatra

Elizabeth Taylor interpretando Cleópatra

Mas, entenda que isso tudo é apenas suposição. Tem-se poucas notícias a respeito dessa época tão remota em que o vestido foi costurado. Sabe-se que a mulher egípcia, em geral, era mais valorizada do que a mulher europeia, Ela tinha mais autonomia, mais liberdade, podia se divorciar e ser protagonista de muitos outros atos, impensáveis para a sociedade ocidental, como possuir bens, realizar contratos, peticionar aos tribunais. Porém, isso em uma época posterior. A respeito das Primeira e Segunda Dinastias, sabe-se pouco, até porque a escrita em hieróglifos estava ainda sendo desenvolvida. É possível – todas as pesquisas apontam para esse lado – que tenha existido uma governante egípcia chamada Merneith, que se tornou regente no lugar do filho Den após a morte do marido Wadj,  Segundo algumas fontes, Merneith pode ter sido a primeira governante mulher de toda a história, treze séculos antes da era cristã.

Você pode imaginar isso? Consegue entender quanto tempo se passou desde que esse vestido foi feito? Eu fico aqui viajando na fantasia…Imagino um lugar quente, muuuito quente, escravos passando nus ou apenas com uma pequena tanga amarrada na cintura, corpos suados e cansados. Mulheres e homens passam em atividade frenética, enfeitados com muitas jóias (mesmo os mais pobres enfeitavam o corpo com adornos de vidro colorido) e, no meio disso tudo, uma linda nobre egípcia, cheia de curvas, pele da cor do ébano, cabelos ornamentados com tiaras, olhos delineados, passa caminhando lentamente pelas ruas do Cairo, depois de banhar-se no Nilo. Ela usava o vestido Tarkhan, saia que ia até os tornozelos, amplo, apertado com um cinto de couro para segurar as dobras do tecido. Estava limpa, perfumada pelo uso de óleos e essências, sentindo-se refrescada. Estava ciente de sua beleza e que atraía os olhares masculinos. Ninguém lhe importava. Tinha olhos apenas para Nerun, seu Nerun, o homem com quem gostaria de passar o resto de sua existência. A moça desliza pelas ruas empoeiradas, leve e graciosa. Então…

E você? O que imagina?

Beijos e me liga!

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