[RESENHA] Dexter em cena – Jeff Lindsay




Livro: Dexter em cena
Título original: Dexter’s final cut
Autor: Jeff Lindsay
Tradução: Solange Pinheiro
Capa: Thiago Sousa/all4type editorial
Editora: Planeta
Ano:  2013
Páginas: 414
ISBN: 978-85-422-0170-3
Primeira edição
Sinopse: Neste volume da série criada por Jeff Lindsay e que deu origem ao seriado de TV, ‘Dexter’, o serial killer entra em contato com seu lado mais ‘humano’ quando conhece uma bela estrela da telinha e seu universo de luxos. Quando o marasmo da vida de casado atinge até mesmo o dedicado Dexter, ele não se faz de rogado quando recebe a oportunidade de aproveitar os deleites da vida hollywoodiana. Será que o mundo das estrelas acolherá seu Passageiro da Trevas, seu Eu perverso? Com a tarefa de proteger a protagonista de um seriado policial televisivo de um serial killer da vida real, Dexter ficará sabendo que, mesmo no mundo da fama, há outros como ele, e será tentado a abandonar tudo para brilhar sob os holofotes.
Contém spoiler sobre os demais livros da série. Não leia esta resenha se você se incomoda com isso.
Agora vamos lá. O livro faz parte de uma franquia. Existem vários outros sobre o Dexter e este é o penúltimo da série.  Não me importei de começar a ler dessa forma porque já tinha assistido todas as demais histórias na Netflix, porém não recomendo que façam assim. Para quem nunca teve contato com a série de tv, acho mais interessante começar pelo volume um. Cada livro contém histórias independentes, mas se você começar fora de ordem, não ficará sabendo de fatos importantes da vida do personagem, que fazem toda a diferença.

Dito isso, vamos iniciar falando a respeito do passado de Dexter Morgan? Ele é filho adotivo de Harrison Morgan, já falecido, ex-detetive do Departamento de Polícia de Miami. Harrison, ou Harry, como é chamado, encontra o bebê Dexter sentado junto ao corpo de sua mãe natural, assassinada com uma serra elétrica. Impressionado com a cena, Harry apieda-se do bebê e o adota. Passam-se alguns anos, Dexter cresce e apresenta comportamentos evidentemente diferentes. Harry não tarda a entender que o filho adotivo é um psicopata, com sede de sangue.  Para que o mesmo não acabe sua vida numa prisão, Harry ensina um código ao adolescente: assassinar estritamente psicopatas, que matam, estupram, enganam, fazem maldades com outras pessoas. Harry sabia que não iria conseguir evitar que Dexter matasse, então que, pelo menos, o fizesse causando o menor número de danos para pessoas “de bem”.
Dexter aprende o Código Harry e se torna analista forense no departamento de polícia do condado de Miami Dade examinando sabem o que? Sangue, obviamente! Ele tem uma fissura por essa coisinha vermelha que corre em nossas veias, embora não goste de senti-lo na pele. Dexter é um especialista capaz de dizer como se deu uma morte analisando o padrão dos espirros do sangue da vítima, mas não só por isso. Ele próprio é um psicopata, o que lhe dá certa afinidade com a mente de outros iguais.  Então é assim que Dexter leva a vida: de dia, trabalha no departamento de polícia junto com sua irmã Debra Morgan, policial durona, ética, que consegue dizer mais palavrões do que qualquer ser humano na face da Terra; à noite, Dexter sai a procura de suas presas, previamente identificadas.
Para manter seu disfarce de bom moço, Dexter estuda o que gente comum faz no seu dia a dia e passa a agir de acordo com essas observações. Por quê? Porque ele não tem empatia, não se conecta com ninguém, com nenhum sentimento, com nenhuma pessoa, então não é capaz de entender as coisas do cotidiano. Para não ser pego e continuar exercendo seus desejos macabros, Dexter precisa parecer “normal”, um homem como qualquer outro. A observação de cenas cotidianas dá ao nosso personagem a capacidade de lidar com os enteados e com a própria filha, com a esposa, com os sogros, com os colegas de trabalho. Todos, absolutamente todos, gostam de Dexter, pedem-lhe ajuda, conselhos. Todos enxergam nele um bom humor, uma sensibilidade que, absolutamente, ele não tem.

 

Corta! Agora voltem para o presente. No Dexter em Cena, nosso psicopata é essa pessoa com cara de “sou normal, pacato e entediante, bom mocinho que não faz xixi fora do penico”, que vive uma vida sem grandes emoções, casado com Rita, uma mulher que está envelhecida e que ele não ama (obviamente. Como já disse, ele não é capaz de se apaixonar. Casou apenas porque sabia que pessoas “comuns” casam. O casamento ajudava a manter seu disfarce de bom moço). Vivendo essa vida chata, Dexter vai criando os dois filhos de Rita (Astor e Cody) e um terceiro, do casal. Seu ambiente familiar parece rotineiramente com um tsunami, já que a enteada Astor está em plena puberdade e tem um comportamento emburrado, mandão, também porque Rita fala frases sem sentido, que nunca são finalizadas. Agora imagina o sufoco que o cara sente…É psicopata e faz uma força danada para manter seus impulsos violentos controlados, daí convive com uma mulher que não fala algo que ele possa entender e com uma menina mandona, gritona, que lhe tira o sossego…Dexter só pensa em estar no departamento de polícia, porque em casa a vida é complicada. No trabalho sua rotina é “tranquila”, analisando o sangue de uma cena do crime aqui, outro ali, até que ele e a irmã Debra são convocados para ensinar seus ofícios a dois atores, Jackie Forrest e Robert Chase. Um seriado policial seria gravado na cidade de Miami e os atores precisavam de uma preparação prévia. Ambos começam a frequentar o departamento de polícia e passam o dia grudados em Debra e Dexter.
Tá, e daí Cláudia???? Para logo com essa conversa mole! Ok, ok…Acontece que, ao mesmo tempo em que estão servindo de babás para os atores, os irmãos Morgan precisam desvendar uma série de assassinatos violentos cometidos contra mulheres de um certo tipo físico. Para desgosto de Debra, o caso é designado a outro policial, o que a deixa furiosa, na medida em que o homem é um arrogante incapaz de descobrir uma pista nem que ela seja esfregada em sua cara com os dizeres “isto é uma pista”. Estando o caso com Anderson, Debra fica afastada das investigações, porém é óbvio que esse afastamento não dura muito tempo. Debra tem fome de justiça. Não, vamos mudar essa palavra. Ela tem fome por fazer a coisa certa. Como é policial, obviamente que a coisa certa a fazer se resume, para ela, em achar os culpados pelos crimes em Miami.
Cruzando informações, escondidos,  Dexter e Debra chegam a conclusão que o assassino está matando pessoas que se pareçam com Jackie, a atriz bonitona que está fazendo laboratório de interpretação no departamento de polícia, já citada anteriormente.  O assassino mutila, morde, arranha e faz coisas horrorosas com essas mulheres como uma forma de diversão enquanto não consegue chegar em Jackie. Dexter é destacado por Debra para proteger a atriz durante a noite e a própria Debra a protege durante o dia. Os irmão fazem tudo sem que o capitão Matthews saiba. Para consumo externo, os irmãos estão sempre junto a Jackie porque foram designados para ensiná-la os macetes de suas profissões. No entanto, apenas os três sabem o verdadeiro motivo de tanta proximidade.
Claro que Dexter se envolve com Jackie e fica encantado com o modo de vida da atriz. Em Jackie, Dexter vê a possibilidade de fugir da mesmice de seus dias, de botar glamour em seu cotidiano. Os dois se envolvem sexualmente (lembrem-se: Dexter não se apaixona nunca!) e as fantasias sobre uma nova vida se tornam muito intensas para nosso psicopata. Entre devaneios, ele põe seu cérebro poderoso para funcionar e rapidamente descobre quem é o assassino que vem ameaçando Jackie. Em pouco tempo descobre seu paradeiro e o mata. Tudo se encaminhava para um final feliz para Dexter, que já se imaginava em Los Angeles, curtindo festas, bebidas, aplausos, porém…Sempre há um porém! Apesar de ter matado o perseguidor de Jackie, os assassinatos de mulheres não cessaram. Tudo indicava que havia mais um assassino a solta e…Daqui para frente não conto mais. Ocorreram mil fatos depois disso, o que me deixou completamente ligada no livro. Custei para engrenar, confesso. Até o meio a história se arrastava. Depois, voou!
A trama se torna intensa do meio para o final e isso faz com que fique impossível largar o livro antes do seu final.  Dez para isso. Outro dez vai para a descrição do modus operandi de Dexter, de sua personalidade, de seus pensamentos. Tanto vendo a série quanto lendo Dexter em cena,  parei várias vezes para pensar sobre essas coisas. Imaginem uma pessoa que se intitula monstro e que pensa que tem um Passageiro Sombrio dentro de si (em várias passagens do livro Dexter se refere a seu Passageiro Sombrio,  principalmente quando pressente que algo está errado. Quando tem seus pressentimentos, Dexter os atribui a essa figura mítica!). Imagine alguém que não tem sentimentos. Como uma pessoa não tem sentimentos??? Dexter não tem e diz isso várias vezes. Ele não sabe o que é o amor, não o entende. Não entende a amizade de igual forma, porque a amizade é um tipo de amor, não é mesmo? Dexter não entende as convenções sociais, não entende absolutamente nada de uma vida “convencional”, mas finge muito bem e só consegue que não descubram seu passatempo sinistro porque, como todo psicopata (até parece que sou versada na matéria! Kkkkk!), é muito inteligente e sabe exatamente o que precisa fazer para manter-se a salvo. Quem olha para essa ser humaninho desumano (desculpe, não podia perder a piada!), vê um homem perfeitamente adaptado às exigências de todos os núcleos pelos quais transita. Para que os leitores tenham uma noção melhor, quando perguntado a respeito do que mais gosta em Rita, Dexter responde que é o fato de cozinhar muito bem. Quando pensa nos enteados, que cria como filhos, e na própria filha, Dexter não esboça nenhum fio de sentimento. Em determinado momento, quando há um sumiço da enteada, ele pensa realmente se deveria procurá-la, já que a menina não é sua responsabilidade. Quando pensa em fugir com a estrela de tv, Dexter imagina que é uma pena ter que abandonar a filha,  portadora de seu próprio DNA! Sim, é nesses termos que Dexter pensa sobre seu bebê.
Isso me fez passar vária horas pensando na crueza do caráter do personagem e no motivo pelo qual nos apaixonamos por esse louco quando lemos ou assistimos a série. Alguém sabe dizer porque ele encanta? Será porque temos um Dexter bem domado dentro de nós que fica apaixonado por outro capaz de exercer seus impulsos? Creeedo! Será?? Bem, se você tiver uma ideia, me mande uma mensagem. Vou adorar ler sua opinião!
Te vejo em breve? Beijos, aproveitem a leitura e me liguem!

 

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