Terror em show de música: faz sentido?


Lamento profundamente o que aconteceu ontem no show da cantora Ariana Grande. Estou com as famílias das vítimas nesse momento de dor. Estou com o mundo inteiro nesse momento de incompreensão.

A morte, por si só, é incompreensível. Quando perdemos um familiar ou um amigo, ficamos arrasadas, tristes, com a sensação de que uma parte dentro de nós se quebrou e nunca mais poderá ser restaurada. Convivemos, pelo resto da vida, com os caquinhos desse pedaço de alma. Quando a morte é de alguém mais distante, não deixamos de sentir. A dor é menor, mas ainda é gigante a incompreensão. Porque morte é isso. Morte é o não-entendimento, é a sensação de vazio, de esquisitice. Morte é o sentimento de que tudo mudou sem nosso consentimento. Morte é estranhamento.

Quando morre alguém que está doente, ou já com uma idade muito avançada, até tentamos entender, justificar e, as vezes, até agradecemos: “estava na hora dela”, é o que dizemos. “Descansou, finalmente”, é o que pensamos. “Para que continuar daquele jeito, sofrendo?” é o que todo mundo expressa.

Quando morre alguém que não deveria morrer, que está no auge de sua juventude, que tem saúde, que teria muito para experimentar, ficamos chocadas. Quando morrem muitas pessoas jovens, juntas, na mesma circunstância, ficamos estupefatas. Quando morrem muitas pessoas jovens, juntas, na mesma circunstâncias, e por motivos tortos, torpes, ficamos anestesiadas, sem palavras, com o grito trancado na garganta.

Não há, no dicionário, palavras que deem conta de explicar um ato covarde perpetrado no meio de jovens meninas. Não existe forma de alguém me fazer entender que há uma lógica por trás do acontecido. Não há entendimento possível para isso. Para que serve matar jovens meninas? O que se pretende matando gente em um show de música? Matar as expressões culturais ocidentais? Foi por inveja? Foi um ato terrorista? Foi obra de um louco que resolveu surtar muitos dias antes do show e ninguém a sua volta percebeu? Sim, porque a pessoa que fez isso precisou planejar seu ataque, fazer seus planos. Ele não teve um mal súbito e, então, saiu rapidamente fabricando uma bomba “de consumo rápido”. Ele planejou e ninguém a sua volta enxergou suas intenções?

Enquanto escrevia a postagem, o Estado Islâmico reivindicou o ataque. Um covarde desses é saudado pelos praticantes radicais do Islã. É um herói celebrado por essas cabeças torpes, psicopatas, para as quais todas as manifestações ocidentais “mancham” seu mundo. Ninguém presta, para esses loucos. Judeus, cristãos, budistas, mulheres, homossexuais, música, dança, cinema, diversão: todos e tudo merecem o extermínio. Como entender isso? Que diversão existe em ver os outros morrerem? Que diversão existe em assistir a dor e não a felicidade?

Num show de uma musa adolescente? Que mal saiu das fraldas, assim como o público que a assistia?

Incompreensível.

Incompreensível que ainda arregimentem pessoas ao redor do mundo. Incompreensível que tenham simpatizantes. Incompreensível!

E não me venham com o discurso de que precisamos entender que esses loucos pensam diferente, porque são de outra cultura. Não  me venham dizer que precisamos pensar como eles para compreender suas motivações. Claro que eles pensam diferente: são loucos! Claro que não vou entender suas motivações. Não há motivação para quererem a morte em massa de meninas. Eu entendo a linguagem do amor. Qualquer um é capaz de entender isso. Qualquer um é capaz de entender que é desumano inflingir dor a qualquer pessoa que seja. Qualquer ser humano entende que devemos cuidar da vida! Minha filha de dez anos entende, meu afilhado de sete entende, o bebê da vizinha faz carinho no cachorro e o abraça para protegê-lo, porque um adulto não entenderia?

Segundo pesquisas, o terrorista não é alguém em surto psicótico e sim um crente, alguém que acredita estar defendendo legitimamente um causa. “A motivação mais forte para o terrorista suicida é dada por sua crença religiosa, ou no mínimo por sua interpretação da fé religiosa. A ele é prometido pelos líderes religiosos radicais que morrendo por essa causa, serão recompensados pela glória e pela ascenção ao Paraíso, consagrando-se como um mártir ungido por Deus. Assegurar essa morte é, portanto, uma pré-condição para sua missão.” (fonte: Cérebro Mente).

Esse desgraçado normalmente tem o perfil de uma pessoa encolhida, tímida, com baixa autoestima e dificuldades de relacionamento. Em um belo dia, é acolhido por um grupo que passa a suprir suas necessidades de contato social, que tem um líder carismático e conhece todas as práticas de lavagem cerebral possíveis e imagináveis. Esse é o psicopata. O líder é o psicopata-mor, que recruta pessoas com dificuldades emocionais e as faz acreditar no que quer que ele deseje.

Como uma pessoa cai nessa??? Como uma pessoa deixa de pensar por si própria e tem seus valores torcidos até ficarem do avesso? Como uma pessoa se deixa influenciar dessa forma? Então é maravilhoso se explodir? Porque o líder não se explode, já que há um futuro lindo, no céu, esperando o terrorista-suicida?

Que os corações das vítimas sobreviventes e dos familiares dos que pereceram no ataque sejam reconfortados.

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