Projeto Leia Mulheres


Já declarei em verso e prosa meu amor pelos livros. Você que está sempre por aqui, acompanhando minhas postagens, sabe que escrevo muito sobre essa paixão nada platônica. Amo ler e os livros retribuem esse amor me apresentando a outros universos, outras formas de viver, de pensar, de ser e estar nesse mundo! Gosto das provocações, reflexões e o prazer que os livros e/ou projetos de leituras me fazem.

Aliás, já viu os posts sobre os projetos de leitura que estou abraçando? Loucura, minha gente, mas não resisto! Falo um pouco sobre eles AQUI e AQUI. E agora descobri mais um!

Você já ouviu falar no Leia Mulheres? Ele nasceu em 2014, quando a escritora Joanna Wash criou a hashtag #readwomen2014, para estimular a leitura de obras de outras autoras. Isso porque o mercado editorial ainda dá pouco espaço para escritoras. A maioria dos autores que lemos e reverenciamos são homens. Não há nada de mal em gostar de livros escritos por homens, hein? Só que existem muitas escritoras de talento cujos trabalhos não recebem o devido espaço e divulgação por parte das editorias.

O #readwomen2014 obviamente acabou no fim daquele ano, porém inspirou pessoas no mundo todo a criarem criaram projetos semelhantes. No Brasil, em 2015, três amigas de São Paulo idealizaram o Clube de Leitura Leia Mulheres, que propôs a leitura de obras escritas por mulheres e encontros mensais posteriores para falarem sobre os livros. Esses encontros são, ainda hoje, realizados quase sempre no Centro Cultural São Paulo.

O Projeto ganhou tamanha importância que em 2016 as amigas Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, criadoras dele, foram convidadas pela Rocco para representar a editora que publica Clarice Lispector na Flip, a Feira Internacional do Livro de Paraty.

De forma espontânea, o Projeto foi se espalhando por outras cidades do país, com a mesma temática: no fim de cada encontro, a leitura recomendada do próximo mês é divulgada e todos têm um mês para ler a sugestão.

Mulheres e homens participam do Leia Mulheres, que não tem a intenção de ser um encontro de troca de ideias acadêmicas acerca da literatura e sim uma troca rica de ideias e impressões sobre o que a leitura deste ou daquele livro provocou em cada um.

Uma questão importante, que as idealizadoras deixam claro, é a de que o Projeto não tem intenção de desmerecer os autores e sim chamar para reflexão por quais motivos lemos menos mulheres, além de promover a leitura de obras de escritoras.

Outro ponto é que algumas pessoas costumam acreditar que exista uma literatura feminina, talvez devido a febre de Os Cinquenta Tons de Cinza e suas variações, o que causaria um olhar preconceituoso por parte de vários leitores. Contudo, vale lembrar que tão pouco existe literatura masculina. Existe literatura e tanto homens quanto mulheres escrevem sobre os mais diversos temas. Agatha Christie, Clarice Lispector, J.K. Rowling, Adélia Prado, Chimamanda Ngozie Adichie, Patricia Cornwell e outras estão aí para nos mostrar isso, só para citar algumas.

E você está envolvida em algum projeto de leitura? Que tal começar um? Acesse o site Leia Mulheres e veja se há clubes de leitura em sua cidade. Temos em Porto Alegre? Temos! E a leitura do mês é Um teto todo seu, de Virginia Woolf.

Beijos e me liga!

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Fontes e links:

Leia Mulheres

Por que ler os contemporâneos?

The Huffington Post – #LeiaMulheres: Como o mercado editorial perpetua a desigualdade de gênero na literatura

Lugar de Fala: #Episódio 4 – Leia Mulheres

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