Amor, paixão, sexo: eu posso? 2


Mulher linda, do meu coração. Recebi tantos pedidos para falar sobre relacionamentos depois dos 40, amor, namoro depois de uma separação, que nem te conto! Impossível ignorar tantos pedidos.

Sou casada faz 18 anos. Como se diz, “estou fora do mercado”, enferrujada nas “técnicas de sedução de estranhos”. Não seria a melhor pessoa para falar de namoro. Quem disse isso? Eu namoro faz 21 anos. Eu seduzo faz 21 anos. O mesmo homem. Como se fosse a primeira vez. Com igual emoção, com paixão. Tenho desejo, tenho vontades, tenho fantasias. Posso, sim, te falar sobre esse assunto. Só não posso falar da dor da separação e do recomeço depois dos 40. Antes disso? Ô…Muitas separações, muitos recomeços…

A grande questão que envolve tudo isso é que as mulheres maduras se sentem envergonhadas de estarem recomeçando. As vergonhas? São das mais variadas: “e se ele não gostar do meu corpo”? “E se eu não souber o que dizer quando ele me convidar para esticar a noite”? “Eu não sei o que fazer para chamar a atenção de um homem. Já esqueci como se faz!”, “o que os outros vão falar? Eu, uma velha, namorando!”.

Hein?????

Para tudo!

Velho é o cérebro de quem te chamar de velha! Velho é esse ranço de que amor, sexo, namoro, é só para garotinhas. Desde quando amor e sexo tem idade?

Olha só.Olha bem para mim. Você não está morta não! Vai deixar que os outros comandem sua vida e digam o que você vai fazer? VOCÊ É QUEM MANDA EM SUA VIDA! Não deixe que abusem de você. Não se deixe contaminar por ideias tacanhas de gente infeliz. Se você tivesse aconselhando uma amiga, seria tão severa com ela como é com você mesma? Imagine a cena:

Sua amiga, a Patrícia (todo mundo tem uma amiga Patrícia, né? :)Eu tenho umas três ou quatro) chega para você e diz:

– Amiga, me ajuda. Estou sofrendo. Sabe o João, aquele meu colega de trabalho? Me convidou para sair. E eu estou morrendo de vergonha! Eu aceitei, mas estou pensando em desistir. Não sei o que falar, como agradar…

O que você responde? Você responde como abaixo?

– Ah, cai fora dessa! Você tá muito velha para isso, amiga! É melhor ficar em casa, tricotando e vendo novela.

Não, claro que não! Não imagino você fazendo uma grosseria dessas. Garanto que você terá sabedoria para aconselhar a Patty (sim, já virei amiga da sua amiga!). Você diria algo como:

– Relaxa, Patty. Por que esse nervosismo todo? O que pode acontecer de tão ruim nesse encontro? Deixa o papo fluir, como acontece toda vez que nós nos encontramos. Ele é um ser humano como qualquer outro. Não vai morder. Ou melhor, se morder, que seja sem dor…:)

É ou não é? 🙂 Não seria com esse cuidado que você responderia? Então porque não faz o mesmo com você? Porque insiste em ver fantasmas onde eles não existem?

Deixa eu te contar uma coisa? Anota aí. Não existem regras nesse mundo. Tudo que a gente acha que é permanente, pode não ser. Tudo que a gente acha que é errado, pode ser certo. Sabe aquela sua vizinha que se drogou a vida inteira e você evitava, porque só podia ser má pessoa? Acontece que ela é uma excelente pessoa. Errou, mas quem nunca? Sabe o menino rico, amigo de seu filho? Mas não é que o guri é solidário e se preocupa com os pobres? Sabe aquela pessoa que sempre pareceu boazinha? Roubou milhões. Sabe aquela pessoa que não se veste direito e “parece uma mendiga”? É milionária. Sabe aquele colega que só usa marca? Pois não tem um tostão no bolso e está devendo para todo o Maracanã. Sabe aquelas situações para as quais a gente já imagina um desfecho e, então, acontece tudo diferente do que pensamos? Sabe aquelas certezas absolutas que todas nós temos? As esqueça. Seja mais flexível. Acontece que botamos as situações e as pessoas em caixas. Categorizamos a tudo e a todos, porque assim achamos mais fácil lidar com as coisas. E assim como fazemos isso, todas as outras pessoas também o fazem. Então, se alguém te disser que você já passou da idade de namorar, entenda que essa pessoa está fazendo exatamente o que falamos acima. Dê uma banana para ela e mostre que não existem regras e podemos fazer tudo que nos faz feliz.

– Mas é estranho eu começar a namorar, agora que sou separada. Não sei mais como se faz…

Ah, bom…Deve ser estranho mesmo. Deve ser estranho fazer uma série de coisas que você não fazia antes, enquanto era casada. Pode ser estranho, mas você não é estranha por isso. Não é estranho se espalhar na cama, agora que ninguém mais dorme ao seu lado? Não é estranho ter liberdade para ir ao cinema e voltar para casa a hora que bem entender? Não é estranho como vem sobrando dinheiro destinado às compras do mês? Agora você compra a metade da comida que comprava antes!

Sim, tudo é estranho numa separação. Também é estranho, também, começar a nadar, para quem nunca fez isso. Ter água entrando nas orelhas? Estranho…

Quando começamos uma nova etapa, tudo é “estranho”, diferente. Puxe por sua memória…Lembra quando mudou de emprego e teve que se adaptar a novos horários, novos colegas, nova rotina? Também era estranho.

Sim, imagino que dê um frio na barriga quando você pensa que agora está por você, que não existe outra pessoa ao seu lado. Sim, imagino que possa existir tristeza por sonhos que se foram. Para algumas, pode haver alívio. Para outras, sensação de vazio. Entenda que é preciso que você se cure desses sentimentos antes de pensar em namorar. Seus sentimentos tem relação com a separação e não com a perspectiva de voltar a namorar.

E sabe? Namorar é algo natural, que acontece. Não procure. Não corra atrás. Apenas deixe acontecer. Você força uma amizade ou ela vai acontecendo aos poucos? Pois é a mesma coisa. Seja você. Ria, chore, fale do jeito que você fala normalmente. Você é apaixonante, tenha certeza disso! Todas nós somos. Cada uma de nós tem qualidades – e defeitos! – que nos fazem únicas. Como dizia minha avó, sempre há um chinelo velho para um pé torto. Sempre haverá quem goste de você do jeito que você é. Você não precisa ser mais do que já é agora. Você não precisa se preparar o papo, fazer uma lista de assuntos interessantes para conversar, pensando que assim se tornará mais atraente. Não! Nessa altura da vida, passada nossa adolescência, eu e você já sabemos que temos uma bagagem de vida interessante. Temos experiências de montão. Temos histórias, temos conhecimento, temos papo para dar e vender. Não precisamos fingir. Apenas ser. Só precisamos existir.

Pausa para você refletir. Vá tomar um café amigo, vá fazer xixi e depois volte. Não, não precisa roer as unhas de nervosa. Eu não estou te bajulando, até mesmo porque não te conheço. Não tenho motivos para te bajular. Quando digo que você é interessante, digo porque sei disso. Digo porque sou uma mulher de mais de quarenta anos e consigo perceber tudo de valor que tenho. Digo porque convivo com outras mulheres maduras, muitas, e vejo como são interessantes, cada uma do seu jeito. Convença-se disso. Sua idade é apenas um número.

– Ah, tá! – Você diz, cheia de espanto. – Mas e o corpo que não é mais o mesmo?

Eu respondo:

– O que você quer me perguntar, na realidade? Se um novo namorado, ou namorada, irá se interessar por você, agora que não tem o peito lá nas alturas? É isso? Sim, vai. Ele, ou ela, gostaria mais de você se sua bunda fosse uma rocha? Não, e se por acaso ele insinuar algo do tipo, caia fora. É uma pessoa narcisista. Você quer isso a seu lado? Mesmo que apenas por uma noite?

Quando as coisas acontecerem, quando acontecer uma comunhão de desejos, a outra pessoa não estará preocupada com os defeitos do seu corpo. Provavelmente ela estará preocupada com seus próprios defeitos. É…A pessoa que te fez suspirar tem os mesmos medos que você, os mesmos pudores, a mesma dificuldade em se aceitar.

Nós não podemos fazer nada quanto ao envelhecimento do corpo. Ele vai chegar, hora ou outra. Se você se der ao seu corpo todos os cuidados que ele merece, talvez os sinais de envelhecimento cheguem mais tarde. Pode ser que isso aconteça. O que não vai acontecer é você passar incólume a esse processo. Não mesmo. Então, é o que é. Se é o que temos, é com isso que lidaremos.

Veja, entendo suas dúvidas. Entendo seus temores. Não me passa pela cabeça minimizá-los. Sei que todas essas dúvidas podem te deixar constrangida, abalada, desconfortável. Sei também que você já passou por tudo isso e essa não é a primeira vez. Essa não é sua primeira vez no sexo. Essa não é sua primeira paixão, seu primeiro amor. Como foi no passado? Que experiências você trouxe até os dias de hoje e que podem te ajudar a relaxar? Sabe como você pode pensar? Assim: qual é a pior coisa que pode me acontecer nessa situação? Então, prepare-se para isso.

Não! Não elenque uma penca de coisas que podem dar errado. Não! O exercício é para você pensar na pior coisa, a coisa que mais te assusta, para poder lidar com ela se for o caso. O resto? O resto será bobagem. Se você ficar sem assunto? Fale sobre o tempo :). Se você derramar vinho no vestido? Aproveite para rir e contar que é sempre desastrada. E se a outra pessoa quiser me levar para um motel? Ué, vá ou não, dependendo de sua vontade. Tem vontade? Três vivas para esse fogo que está te queimando. 🙂 Não tem vontade? Lembre de um compromisso inadiável e saia de fininho.

Pronto. Foi complicado?

Posso te ajudar com mais alguma dúvida?

Beijos e me liga!

 


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2 pensamentos em “Amor, paixão, sexo: eu posso?

  • Soraya Cristina da Silva

    Ola Clau…acabei de tropeçar no dicas de Calu….entrei e comecei a fuçar…..e de repente brilhou esta matéria…sabe aquela coisa certa, na hora certa?…então foi isso….tenho 52 anos, separada há 15 anos e tive outro relacionamento que começou já com cara de que seria mais um carma do que relacionamento que durou 14 anos…..que como qq carma tem seu fim…amém….resolvi desta vez seguir em frente e não olhar pra tras…..e td q vc falou passa na minha cabeça…medos..insatisfações….traumas….com a minha idade estava me sentindo ridícula….porém minha cabeça não acompanhou minha idade…me doi ver q o tempo passou…..bom diminuindo a história….estou me arriscando…e as coisas q vc falou cairam como uma luva ….aliviando minha alma…deixar a conversa fluir e saber q não sou jovem…porém tenho minha beleza…..obrigada….continue com matérias assim…o publico é grande,,,,, bjs

    • claudia Autor do post

      Oi Soraya! Bom saber que você gostou da matéria. Te agradeço muito por confiar em mim e compartilhar sua história.
      Não se sinta ridícula por nada que for seu. Sua idade, seus desejos, suas capacidades, tudo que é seu tem valor. A idade é apenas um número que alguém resolveu estampar em nossa carteira de identidade. Sim, o tempo passa e imprime modificações em nossos corpos, também em nossas mentes. Isso é inevitável. O que podemos evitar é tornar esse processo um drama. Sabe aquele ditado que diz: o que não tem remédio, remediado está? Pois é isso. Pense que não há reversão do tempo, não há pílulas da longevidade. O que existe é a nossa possibilidade de fazer o melhor com o que temos. Então, faça o seu melhor e tenha certeza que o seu melhor é algo incrível. Cuide-se, namore, ria, seja feliz. Beijos, querida.