Rótulo é coisa de comida congelada, não de gente


Sempre que ouço falar em Emo, Patrícias, Góticos e Grunges fico me perguntando: mas que xongas são essas? Em minha casa, Emo era sal de fruta. Ou seria Eno? 🙂 Patrícia é uma amiga e góticas são algumas catedrais…Agora, grunge????? Meu cérebro mais do que brilhante 🙂  insiste em dizer:

– Não tem registro, não tem registro!

Eu nunca vi um grunge, nem de longe. Talvez se soubesse o que é ser grunge, poderia até dizer que já vi… O que leio no Aurélio sobre o assunto? Nada! Claro, não é palavra da língua portuguesa, pensarão alguns. Claro que não é, mas então porque usamos, eu pergunto? E marketing? E shopping? E sale? E off????? Eu te pergunto: pra que offf???

À noite, quando apago as luzes de meu quarto e todos já estão dormindo, rezo a Deus: “oh, meu Deus, porque me fizeste tão ignorante, sem capacidade de domesticação? Sim, pois sou ignorante e selvagem, não consigo me render aos estrangeirismos e às classificações descabidas! Senhor, auxiliai uma pobre coitada a entrar no reino dos céus menos burra, conhecedora de todos os rótulos, anglicismos e galicismos existentes sobre a face da Terra! Auxiliai tua serva a entrar no esssquema! Alô, alô…Captou minha mensagem, senhor? Alô?”

Todos os dias também rezo para entender porque o ser humano não vive simplesmente, no lugar de tentar encaixar todo e qualquer ser vivente em uma categoria. Não seria mais fácil tratarmos as pessoas como…pessoas? Porque atrás do rótulo vem o preconceito. Já parou para pensar nisso? Nós atribuímos comportamentos a cada categoria de pessoas que criamos, como se as pessoas fossem “encaixáveis”, previsíveis. Então, Emos são delicados, punks são revoltados, metaleiros são sujos e insensíveis, Patricinhas são burras. Nāāāo! Para o mundo que eu quero descer (nooossa! Eu adoro uma frase feita, um clichê! Não deveria, mas fazer o que né?). As pessoas não são assim não!  Cada uma de nós é de um jeito e esse jeito nāo cabe dentro de estigmas.

Entāo é isso. Não vi um grunge hoje, nem um Emo, nem uma Patricinha, porque enxergo seres humanos e não rótulos. Nós nascemos com algo carimbado na testa? Nāo, né? Ao contrário. Nascemos com um infinito de possibilidades. Nāo somos uma coisa só é não temos obrigação alguma de mantermos os mesmos gostos e comportamentos por uma vida inteira. Se eu sou médica, não posso também ser cantora? Se estou emburrada porque algo deu errado, preciso ser emburrada sempre? Se uso batom rosa, isso me define como Barbie e nunca mais vou poder usar um batom vermelho?

Nada nos define por inteiro. Nem o rótulo, nem a profissão, nem a cor do batom que estamos usando diz exatamente o que somos. Acho que a única palavra que que “nos veste” completamente e da qual não conseguimos escapar, é COMPLEXIDADE. E como seres complexos, podemos amar e odiar ao mesmo tempo, gostar de luta livre e música clássica, misturar doce e salgado. Podemos tudo que quisermos, sem carregar o peso de um estereótipo. Não precisamos desse tipo de marca.

E você, o que acha?

Te vejo na próxima postagem?

Beijos

Beijos e me liga!

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