Como saber se seu relacionamento é abusivo – parte 2


Unhappy young couple having an argument. Isolated on white.

Relacionamento em Crescimento

No artigo anterior, vimos o exemplo de um relacionamento maravilhoso, ideal! Infelizmente, por mais que tenhamos consciência do quão importante é ter uma relacionamento de amor, respeito, companheirismo e cumplicidade, nem sempre conseguimos colocar em prática medidas que proporcionem um convívio plenamente saudável – Ou melhor, Super Power!

Hoje, inclusive, vou contar uma história que mostra como justamente nós mesmas também podemos agir, às vezes sem querer, em favor de uma realidade que pode se tornar nociva:

A V. é uma mulher que, desde criança, ouviu de sua mãe que ela não deveria depender de homem para nada. Ela tinha que ser independente, tinha que fazer as coisas, tinha que priorizar sua carreira profissional, estudar bastante para ser alguém na vida, e por aí vai.

Quando V. se casou, por volta dos 30 anos de idade, acreditando nas palavras da mãe, ela manteve muitos hábitos da sua vida de solteira. Ao
compartilhar a rotina e o espaço físico com o marido, ela passou a ter algumas reações tempestuosas a vários detalhes cotidianos que não faziam bem para o relacionamento do casal. Quando ela me encontrou, tinha acabado de se dar conta de como ela era a pessoa que dominava a relação – não como quem guia o relacionamento, mas de um jeito autoritário que fazia o outro se sentir intimidado, de modo que ele não se sentisse à vontade dentro do próprio lar.

Esse é o extremo oposto da subserviência: quando a pessoa não quer ser dependente, ela pode acabar dominando o outro e fazer o outro dependente de si. E esse é um detalhe muito interessante: na época da escravidão, por exemplo, existiam pessoas que, por sua cor de pele, acabariam escravizadas e, então, como forma de fugir daquilo, elas passaram a escravizar; da mesma forma, também existiram judeus que ajudaram o exército alemão a dominar seu povo e colocá-los em campos de concentração…

Esse é um cuidado a se ter: se a gente não gosta de ser dominado, é muito importante não querer fazer o contrário! Não se deve querer fazer o outro se sentir daquela maneira ruim. Em última instância, se empoderar significa você estar em posse do seu poder como pessoa e dar aos outros o direito também de serem como são e respeitar suas particularidades – assim como fazemos questão de que respeitem as nossas. Então V., no processo dela, aprendeu a parar de dar muita importância aos pequenos detalhes da vida cotidiana que só afastavam os dois e passou a dar importância para o melhor, que era estar junto da pessoa que amava. E isso é ma-ra- vi-lho- so!

Estamos falando de um relacionamento parcialmente saudável. Neste aqui, ao contrário do relacionamento ideal, não há um diálogo maravilhoso. A maior parte do relacionamento é interessante e dá certo, mas há alguns pequenos impasses que podem ser solucionados. Por isso, este é um relacionamento em crescimento.

Existe uma certa simbiose entre os dois, ou seja, há uma parceria de casal; ainda assim, geralmente um se sobressai ao outro, um acaba fazendo mais do que o outro para a manutenção da relação.

Perceba que, nesse tipo de relacionamento, é comum vermos pessoas que estão em expansão em outras esferas da vida, o que se estende à vida pessoal. Portanto, é preciso que ambos aprendam a se comunicar de forma assertiva de maneira a administrar suas diferenças de igual para igual. Apesar disso, mesmo tendo certos desentendimentos, o relacionamento é na maior parte dos momentos é saudável.

Por isso, conforme vimos pela história de V., é possível reavaliar algumas atitudes que tomamos (ou mesmo aquelas às quais somos coniventes) e recuperar a relação para aprimorá-la! Não é um caso perdido. Ter consciência da necessidade de mudança já é um grande passo. Agora, mãos à obra!

Se você vive uma realidade parecida com a de V., estando no lugar dela ou sofrendo por conta de um parceiro que tende a ser dominador, converse com quem você ama. Pode ser que a relação de vocês tenha se configurado assim sem necessidade, por hábitos ou por questões de criação, mesmo. Particularmente, eu entendo que esse tipo de relacionamento pode se mostrar proveitoso, caso ambos se comprometam em procurar crescer juntos!

O quanto você e seu parceiro estão comprometidos a crescerem juntos?
Um sabe qual o plano de vida do outro, em detalhes? Qual sonho vocês vivem e querem viver em conjunto? O quanto você dá espaço para o outro colocar suas questões e pontos de vista? O quanto está aberta a negociar ao invés de julgar? O quanto deixa claro a importância que o apoio, presença e companheirismo dele fazem diferença na sua vida?

Caso você ainda não tenha identificado seu relacionamento nas duas histórias que mencionei (hoje ou no texto anterior), continue acompanhando os relatos. Talvez o seu caso esteja mais perto da situação que irei expor em meu próximo artigo. Se assim for, acredito que terá certas reflexões super interessantes e úteis. Até logo!

De coração para coração,
Giulianna Scarpati

Giulianna Scarpati – Socióloga por formação, Terapeuta e Coach por vocação e escritora por teimosia. Contatos:giuliann.scarpati@hotmail.com

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