Vamos falar de baixa autoestima?


Em linhas gerais, autoestima é uma avaliação subjetiva, positiva ou negativa, que fazemos de nós mesmas.

Você se julga feia, esquisita, sem atrativos, velha? Note isso: somos nós que nos avaliamos e nos julgamos merecedoras, ou não, das coisas boas do mundo. Somos nós que nos botamos para baixo, nos afundamos em poças de autopiedade e choramingamos: porque eu não tenho o cabelo da fulana, a pele da beltrana, as coxas da sicrana? Somos nós que nos colocamos nesse barquinho prestes a afundar. Você percebe isso?

Não é possível você ter o cabelo da fulana simplesmente porque ele é da fulana. É ela que tem aquela genética. E isso  não quer dizer que o seu cabelo não é bonito. Simplesmente é diferente do da fulana.

Nós mulheres convivemos muito tempo com a escravidão de servir a modelos pré-estabelecidos. Já notou que não há muito padrão para homens? Eles não se massacram como nós. Nós botamos na cabeça que temos que ter peso de bebê, maçãs do rosto salientes, barriga chapada, cabelos lisos e loiros. Quem nos passou esse “conto do vigário”? Hein? Quem diabos nos fez acreditar que existem padrões e que devemos segui-los? Porque nos colocamos nessa roubada?

Me responda com sinceridade: há realmente alguém nesse mundo que tenha o poder de nos dizer como nós devemos ser, agir, o que devemos fazer? Somos tão fracas assim para deixar que o outro escolha nossas vidas?

Vamos entender uma coisa: o que os outros acham é problema dos outros. Só porque a vizinha acredita em algo, isso não quer dizer que sua opinião seja uma verdade absoluta. É apenas uma opinião e vale para ela. Se você concordar, beleza. Se não, beleza também!

Autoestima preservada tem relação com nos gostarmos, nos aceitarmos do jeito que somos. Querer mudar, ter o desejo de se melhorar, é saudável, mas o deixa de ser quando assume a forma de autopunição. Não é saudável você ter um cabelo lindo, cacheado, que você insiste em manter liso a custa de muita química, de muito alisamento, a custa de você perder sua identidade. Você não é uma mulher de cabelos cacheados? Então assuma-se assim. Goste de seus cachos, trate-os com carinho.

Vou contar um pequeno segredo para vocês. Quando eu era menina, também não gostava de meu cabelo. Meu cabelo sempre foi liso, mas tão liso, que nenhum enfeite parava nele. Eu queria ter o cabelo cacheado, mas isso era impossível. Um dia fiz permanente (na época era assim que chamávamos o procedimento para deixar o cabelo com cachos). Fiquei com a cara do Caetano Veloso, na época em que ele carregava uma juba de leão. Voltei para casa e chorei sozinha, não querendo mostrar para ninguém minha tristeza, já que tinha insistido tanto para fazer aquilo.

Sim, eu estava com a autoestima muito baixa. Criei algo artificial, talvez tentando ser outra pessoa. Eu sofria, naquela época, por causa da acne. Por mais que eu fosse disciplinada e usasse tudo que o dermatologista receitava, a acne não melhorava e minha autoestima caía até o pé. Fazer permanente foi uma forma de querer me tornar mais bonita, me tornar uma pessoa que não estava podendo ser naquela época.

Você pode mudar sua aparência de vez em quando. Sim, não sou contra. Seja feliz com essa pequena mudança. Agora, fique atenta para perceber se esses desejos não estão escondendo algo mais, uma insatisfação mais profunda consigo mesma. Mudar de vez em quando pode dar uma certa emoção ao seu dia. Não se gostar nunca e estar sempre buscando um ideal inatingível? Epa, epa, epa, epa, epa! Ideal é algo que só existe no campo das ideias. Pode ser muito bonito enquanto pensamento, mas sem concretude. Ideal é algo que acreditamos ter características positivas em grau superlativo. É possível pautarmos nossas vidas em razão dessa visão  mítica?

Lembro de uma situação que se passou anos atrás em meu trabalho. Estava eu e concentrada, escrevendo um relatório, quando entra uma colega bufando:

– O que foi, fulana?

– Vistes a colega nova que começou a trabalhar? Além de linda, ela tem dentes perfeitos, é inteligente e simpática. Caramba! Assim fica difícil a concorrência!

E eu, mais que depressa, respondi:

– Ela deve ter chulé…

Resumo da coisa: perfeição não existe. Nem nos outros, nem na gente. Não é possível atingi-la. Podemos ser melhores a cada dia e sermos melhores a cada dia envolve, também, nos aceitarmos e às nossas imperfeições, nossas dificuldades.

Entenda o valor que você tem. O cara lá em cima não erra. Você acha, me diga, que ele iria gastar seu tempo criando alguém tão ruim assim, tão sem atrativos, tão sem qualidades?

– Ah, Cláudia.Eu não acredito em Deus não…

Ok, sem problemas. Acredite apenas em você. Qual seria o sentido de você estar aqui sendo tão imperfeita como acredita ser? A natureza criaria você para que? Saiba que há muita gente por aí que está no mesmo barco que você (sim, estou exagerando nas metáforas náuticas hoje. Não se preocupe. Essa foi a última 🙂 ). A natureza pariria tantos abortos assim?

– Ah, Cláudia. Não acredito nisso também.

Bem, eu não posso abarcar aqui, nessa postagem, as crenças de todo mundo. O importante é você entender a mensagem. Entendeu, não entendeu?

Entendeu que somos únicas, belas e bacanas do jeito que somos? Que temos nosso valor? Que podemos ser diferentes das outras e que está tudo bem?

Dê uma chance para você. Faça o que acha melhor para você e não aquilo que você acha que os outros estão esperando. Cuide-se, queira-se, seja a melhor companhia que alguém poderia ter simplesmente por ser você.

Beijos e me liga!

 

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