Moda: suas escolhas contam quem você é (de verdade)?


“Roupas devem atender às suas particularidades. Não interessa se está na moda, se as revistas não param de falar sobre o assunto: se não ficar bem em você, não use”.

(O Essencial, Costanza Pascolato)

 

Já começamos este post com uma citação da papisa da moda nacional para que ela nos inspire sobre a pauta: roupas e acessórios em mulheres maduras – o que fica adequado usar?

Calma! Não vamos pelo caminho do que você deve ou não usar. É consenso: nós mulheres podemos vestir o que sentirmos vontade, o que nos faz feliz, o que valoriza quem somos para que possamos expressar o melhor de nós no mundo.

Eu quero mesmo é provocar uma reflexão sobre o que estamos comunicando ao mundo quando escolhemos determinadas peças de vestuários.

Dito isso, eu pergunto: você se veste de você, escolhe peças que valorizam seu corpo e tem em mente uma intencionalidade nesta escolha, entendendo que está em suas mãos expressar a todos quem você é e que mensagem deseja comunicar?

E provoco: será que você não faz suas escolhas pelo que está na moda, desconsiderando gosto e estilo pessoal? Ou, talvez, tenha total desconhecimento de quem é, não faça uma reflexão sobre sua história de vida e não saiba que isso é importante e relevante na hora de se vestir?

Refletindo sobre essa questão, entendo que há um limite entre ser livre para escolher o que deseja vestir e vestir-se como se fosse uma caricatura, sabe, ou um cabide de informações de moda que muitas vezes não traduz quem somos.

“A parisiense jamais cai nas armadilhas das tendências: ela respira o l’air des temps* e as usa com critério, eis sua receita secreta. ”

(A Parisiense, Ines de la Fressange)

                                                                 *tradução livre: espírito do tempo

A moda não se limita a vestir tendências. Ela dialoga com o momento histórico e tem um propósito que passa longe de apenas vender roupas – não que isso não seja a intenção das marcas.

O que estou querendo dizer é que uma tendência nasce por um motivo. No post sobre Chanel e Schiaparelli eu contei que Coco Chanel não gostava das roupas que as mulheres usavam, pois compreendia que elas nos limitavam, não eram práticas e serviam unicamente para embelezar e criar padrões estéticos, desconsiderando a rotina das mulheres. Foi assim que ela se inspirou nas formas e tecidos do vestuário masculino, como o linho e o tricô, para criar roupas que continuassem sendo bonitas, mas que fossem práticas também. Assim nasceram seus famosos tailleurs e o pretinho básico, que seguem sendo referência até a atualidade.

Nos anos 80, após o fim da ditadura, podemos observar que vivemos uma explosão de cores e formas na moda. Ela parecia querer soltar o grito preso na garganta em anos de repressão e pudemos assistir a onda new wave, com cores fortes e fluorescentes. Os acessórios seguiam o mesmo caminho e brincos coloridos enfeitavam nossas orelhas.

Lembra das ombreiras exageradas? Sabia que era uma forma da mulher demonstrar poder e se impor? Por isso, a tendência foi amplamente usada no mercado de trabalho. Se hoje precisamos lutar para comprovar que somos competentes como qualquer outro ser humano, imagina esse debate há mais de vinte anos?

Hoje, caminhamos um pouco mais e temos mais liberdade ao optar pelo que entra em nossos armários. Por outro lado, ainda persiste uma dose de pressão para que sejamos eternamente jovens, como se envelhecer não fosse um processo natural. E, por conta disso, muitas mulheres caem na armadilha de vestirem-se como se tivessem vinte anos a menos. Não que não possam. O importante é observar se me visto assim porque quero ou porque a sociedade me cobra para aparentar ter uma idade que não tenho.

Sim, é um mergulho no autoconhecimento. E tem tudo a ver com roupa!

“A definição do dicionário diz que autoestima é a ‘valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos’. Para a psicologia, a autoestima é a avaliação que fazemos de nós mesmas – o que se pensa e se sente sobre quem se é. De todos os julgamentos feitos ao longo da vida, nenhum é tão importante quanto o que fazemos sobre nós mesmas. E essa avaliação, essa valoração – de acordo com o significado da própria expressão – afeta nossas ações e decisões. Muito além de apenas roupa. ”

(Vista quem você é, Cris Zanetti e Fê Resende da Oficina de Estilo)

 

Um mergulho em nossas personalidades, histórias de vida, gostos é uma viagem de autoconhecimento que, traduzidos nos nossos vestuários, podem nos levar longe. A escolha certa de uma roupa para o ambiente de trabalho se encarrega de já mandar a mensagem que, talvez, nem precise ser traduzida em palavras. Se estamos conscientes dos motivos que nos levaram até aquela saia, aquela calça, vestido ou camisa, nos empoderamos.

Empoderamento, essa palavra que está na moda, não é algo que alguém te dá. O que existem são ferramentas para que você se empodere do que está aí, escondido dentro de sua história de vida. Não é lindo imaginar você transmitindo para o universo o orgulho que tem das suas experiências?

 

“Aprendi que a moda não deve ser mais uma forma de nos fazer infelizes, e sim um caminho para nos libertar. Não deve ser tratada de forma superficial, pois tem uma importância muito maior na nossa vida do que o admitimos. E nem pode ser limitada a especialistas, pois faz parte do nosso cotidiano como escovar os dentes. Saiba que você conhece muito mais de moda do que imagina: vestir-se é algo que faz parte do seu dia a dia; e não existe melhor especialista em você do que você mesmo. ”

(Moda Intuitiva, Cris Guerra, do Hoje Vou Assim)

 

Hoje, você pode contar com o auxílio de um Consultor de Estilo ou de um Coach especializado na área, que podem te levar à viagem de autodescobertas, se não souber como começar. Mas, como lembra a Cris Guerra, este poder está primeiro em você.

Uma amiga contou uma história sobre uma antiga colega de trabalho que só usava roupas que pertencessem à paleta de rosas. E que falava tudo no diminutivo, quase como criança. Ambas trabalhavam para uma grande empresa em São Paulo. As pessoas tinham dificuldade de levar essa mulher a sério, pois ela não transmitia confiança alguma. Ela era quase uma caricatura.

É ok gostar de rosa e usar. É estranho vestir uma personagem e ir trabalhar. É ok gostar de acessórios, mas ninguém precisa se vestir como Viúva Porcina – a menos que sua personalidade seja como a dela.

 

“Respeite sua essência. Seja você mesma. É o jeito mais inteligente de construir seu estilo, sua maneira de viver e de se vestir. E você vai ver: estilo é fundamental para a autoestima. ”

(O Essencial, Costanza Pascolato)

 

Para terminar, fiz uma curadoria de fotos de mulheres maduras, de vários estilos, em momentos diversos do dia a dia. Dá para ser elegante, profissional, casual, chic sendo você mesma. Vamos nos inspirar!

 

Beijos e me liguem!

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