[Resenha] The heart of betrayal, de Mary E. Pearson


Livro: The heart of betrayal
Título original: The heart of betrayal
Série: Crônicas de amor e ódio
Volume: 2
Autora: Mary E. Pearson
Tradução: Ana Death Duarte
Editora: DarkSide Books
Ano:  2016
Páginas: 400
ISBN: 978-85-945-4011-9

Sinopse: Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao Vendan Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os Vendans, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família… e seu próprio destino.

ATENÇÃO: PODE CONTER SPOILER

LEIA AQUI A RESENHA DO VOLUME 1 

Nesse segundo volume das Crônicas de Amor e Ódio encontramos nossos personagens principais – Lia, Kaden e Rafe – vivendo no reino de Venda. Se você leu o primeiro volume da série, então já sabe quem é o Assassino e quem é o Príncipe pelo qual Lia se apaixona. Se não leu, pare por aqui, por que eu vou contar. 🙂 Não consigo continuar falando do livro sem mencionar “esse detalhe”.

Como acabou o livro anterior, para você se situar.

Kaden, o Assassino, sequestrou Lia com a ajuda de companheiros de Venda. Só existe uma verdade aqui: ele estava apaixonado pela jovem e não conseguiu seguir a ordem de matá-la dada pelo Komizar  (o Komizar era o canalha ditador de Venda). Kaden inventou histórias e convenceu o Komizar de que a princesa, viva, serviria muito melhor aos propósitos do reino, por causa de seu dom.

Acontece que Rafe, quando ficou sabendo do sequestro de Lia, correu ao encalço da mulher que amava, tentando salvá-la. Contando com amigos fiéis – soldados com quem serviu ao exército – Rafe armou seus planos de resgate, mas para que eles dessem certo nosso príncipe precisou se passar por outra pessoa. Rafe mentiu para que o deixassem entrar em Venda. Ele alegou ser um emissário que trazia propostas do príncipe de Dalbreck. Até mesmo Kaden acreditou na história inventada por Rafe.

Ok. Agora vamos para o novo volume. Imagine você que Rafe e Lia estão sendo mantidos prisioneiros e que a ameaça às suas vidas seja uma constante. Lia tem apenas 17 anos e já precisa pensar como uma grande estrategista, driblando as intrigas que correm soltas em Venda. Ela não pode errar na avaliação que faz das pessoas, também nas palavras que profere. Se não se tornar uma estrategista, pode ser morta, bem como seu amado Rafe. Kaden, por sua vez, quer proteger Lia a todo custo. Ele tem uma relação de lealdade com o Komizar, mas sabe que o mesmo é um homem perigoso, que não pode ser desafiado. Apesar de ver as barbaridades que seu governante perpetra contra a mulher que ama, Kaden sente-se perdido, sem saber que decisões tomar para não trair seu governante e, ao mesmo tempo, não deixar que ele machuque Lia.

Lia quer odiar Kaden por tê-la sequestrado e por não se levantar contra o ditador do reino de Venda. Ela quer, mas não consegue, porque começa a conhecer a história prévia do Assassino. A princesa entende que foi o Komizar que estendeu a mão para Kaden quando este era apenas um menino indefeso, muito maltratado pela vida. Lia também vê amor nos olhos de Kaden, vê que ele se importa com ela e não quer seu mal. Para a princesa, tudo é  muito complicado: ela odeia o Komizar e o teme ao mesmo tempo. Ela tem um bom coração e se importa com o povo de Venda. Ela está preocupada com o que pode acontecer com seu príncipe, caso descubram que ele não é nenhum emissário do reino de Dalbreck.

Há um grande crescimento de Lia, do primeiro para o segundo livro. Nesse segundo volume, Lia passa a entender que tem deveres para com seu reino, também deveres como pessoa. Ela conhece os habitantes de Venda e entende que não são bárbaros horrorosos, como sempre tinha ouvido falar . Nos olhos de cada um dos vendanos, Lia vê privações, vê necessidades, vê também amor, bondade, devoção. Ela não pode decepcionar essa gente toda, mas também não pode suportar a ideia de estar trancafiada longe de casa, longe da possibilidade de realização de seus sonhos.

Lia começa a entender melhor seu dom em Venda. Ela passa a ouvir o silêncio, a entender as mensagens que lhe chegam por pensamento, a compreender que precisava tomar suas decisões tendo como base essas “vozes e visões”.

Rafe, nosso mais que lindo e maravilhoso herói da saga, desempenha seu papel de emissário com grande sabedoria. Ele sabe que está sendo vigiado por mil olhos, então não pode fraquejar. Durante os jantares em que participa com toda a corte vendana, Rafe mal olha para Lia, para que não entenda que ele se importa com a vida da princesa e que traça planos para suas fugas. Nesses jantares ele também precisa conter-se para não demonstrar que tem treinamento de soldado e mais conhecimentos do que seria esperado para um simples emissário do príncipe de Dalbreck. Esse homem forte, inteligente, lindo pra caramba, está apaixonado por Lia a tal ponto de dizer-lhe para ir embora sozinha, sem olhar para trás, caso algo de errado aconteça no momento em que empreenderem a fuga. E é isso. Seus conflitos não parecem tão importantes quanto os conflitos dos demais personagens.Sua participação é secundária, como personagem de apoio. É um belo príncipe, como os príncipe da Cinderela e da Branca de Neve 🙂 : ambos aparecerão nas tramas dos contos de fadas citados para ajudarem a construir as histórias, mas…só 🙂 . Maaas, aguarde o terceiro livro. 🙂

A história de Kaden é tão atraente quanto a de Lia. Nós sabemos desde o primeiro volume que o Assassino tem o corpo marcado por cicatrizes. Sabemos que deve ter sofrido muito enquanto mais jovem, mas nem de longe podemos imaginar o que aconteceu. Ele sofre calado, dividido entre o amor de Lia e a lealdade ao Komizar, também por começar a entender que a princesa lhe induziu a achar que ela o amava.

Será que Lia e Rafe conseguirão fugir nesse segundo volume? Alguém morre? Alguém se torna uma pessoa diferente e auxilia nosso casal real a escapar de Venda? Ou, ao contrário, ninguém muda e Lia precisa ter ainda mais força para ultrapassar todos os obstáculos que tem pela frente? O que acontece com Kaden? Ah! Muita coisa eu não posso te contar, né? Não quero que me matem 🙂 por estar entregando toda a história!

O que eu achei do livro? Muito melhor do que o primeiro. Há uma parte do meio repetitiva, meio chata, não vou negar. Te confesso que em alguns momentos tive vontade de acelerar a leitura, como se a história tivesse perdido o ritmo. Mas o contrário também aconteceu: vez ou outra eu tinha que deixar o livro de lado para que minha cabeça não explodisse com a rapidez das cenas. Sensacionais os rumos que a trama toma. Bacanérrimas as reviravoltas nas vidas dos personagens.

Algo digno de nota foi o modo como a autora caracterizou cada personagem. Nós conseguimos enxerga-los como se fossem reais! Rafe, Kaden, Calantha, Jeb, Tavish, Sven e tantos outros personagens adquirem vida. É possível identificar seu modo de falar, seus trejeitos, sua forma de pisar no chão. Muito bacana.

A encadernação da DarkSide books continua impecável, caprichada. Há alguns erros no texto. Vários erros, como palavras faltando. Isso me deixou muito chateada. Ficou parecendo que a editora não conta com um revisor e isso é péssimo! Estamos falando de nossa língua materna. Todos nós erramos ao escrever e ao falar e entendo perfeitamente isso. Quem sou eu para falar de erros de português, não é mesmo? Concordo. Maaas, preciso dizer: uma coisa é estarmos falando de pessoa física, de vidas atribuladas que não nos deixam tempo para revisões aprofundadas. Quem escreve um blog, como eu, pretende sempre fazer o melhor e, efetivamente, apresento o melhor que posso dentre minhas condições. E não estou querendo justificar meus erros. Estou te contando a realidade e concordo plenamente com essa visão de que meu português não é assim uma coisa tão linda de se ver. Escrevo por que quando deveria escrever porque. Esqueço vírgulas de quando em quando. Cometo algumas gafes. Não deveria, mas acontece. Eu poderia fazer melhor? Só se tivesse mais horas no meu dia, para poder escrever, revisar, procurar fotografias, estudar português para sanar minhas dificuldades…Todo mundo pode crescer e deve sempre buscar ser melhor do que foi no dia anterior. Eu penso assim e pratico o que penso. Dentro de minhas possibilidades. Todo mundo comete erros, porém alguns não são admissíveis, dependendo de quem os comete. Uma professora de matemática não pode somar 2+2=5 sistematicamente. Errar uma vez? Até podemos pensar que foi distração, coisa e tal. Errar duas vezes a mesma questão simples? Nem pensar. O mesmo pode ser dito com relação a uma editora. Darkside books é pessoa jurídica, que se esmera tanto no cuidado com as capas dos livros que me fica difícil entender o descuido com o principal, que é a forma como o texto está posto no papel. É papel da editora revistar todos os textos que irá publicar.

Ô, Darkside books, gosto imensamente de vocês, mas é bola fora revisar o texto de forma capenga, hein? Suas edições são tão caprichadas! Não percam pontos com revisões de texto mal-feitas. Por favor?

 

Então é isso. Beijos e me liga!

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