Como saber se seu relacionamento é abusivo – parte 1 1


 

No século XXI, o que é um Relacionamento Maravilhoso?

Seja pelo Facebook ou em alguma matéria de jornal, certamente você já se deparou, pela internet afora, com alguma discussão sobre relacionamentos abusivos. Talvez você nem tenha parado para ler, afinal, você pode achar que isso não tem nada a ver contigo. Mas, será que você se sente ouvida e respeitada em todas as situações? Será que seu parceiro sempre faz questão de tomar qualquer decisão que envolva a família de vocês em conjunto com você? Ou ainda você sente 100% valorizada como pessoa pertencente a família que você faz parte?

Nem sempre percebemos as dominações que sofremos e, geralmente, uma mulher só percebe que estava num relacionamento abusivo quando, depois de sofrer muito, já não está mais nele. Se quando você sente falta de afeto e palavras doces em seu relacionamento e expressa isso ao seu parceiro e ele lhe diz que você está sendo “dramática”, “melosa” ou “carente” – Cuidado, seu relacionamento pode não ser tão saudável quanto você pensa! Se quando você expressa sua opinião sobre como as coisas deveriam funcionar em seu relacionamento ou em seu lar e ouve “Não pedi sua opinião!” – Abra seus olhos, você pode estar sendo inferiorizada e ainda acha que a sua opinião é que é a errada história! Se você se sente “pisando em ovos” sempre que quer investir em seus estudos ou carreira e precisa se esforçar muito para ter o mínimo apoio para deslanchar – Mulher, seu relacionamento pode ser mais pouco saudável do que você pode estar tendo consciência!

Por isso, se você entende que a sua situação não se encaixa em um relacionamento abusivo propriamente dito, mas ainda assim a relação parece não estar dando certo por diversos motivos: Eu sugiro que você repense com mais detalhes nesta série de quatro partes, pois ela se baseia em anos de experiência ajudando mulheres a elevarem sua autoestima, baixarem sua autocrítica e se apropriarem do direito de guiarem suas vidas como queiram. Isso pode fazer toda a diferença e até salvar seu coração de não precisar passar por mais e mais situações desnecessárias.

Tenho lido muitos textos que trabalham apenas com a oposição entre relacionamentos saudáveis e abusivos, mas creio que essa simplificação não dá conta, na prática, de boa parte relacionamentos hoje em dia. Por isso, achei interessante especificar outras instâncias de relacionamento, para que você se sinta melhor representada e possa entender o quanto isso te afeta!

Como a questão é profunda, vou tratar o assunto em uma série de quatro textos, no total, cada um com uma história real (adaptada aqui para que as pessoas envolvidas permanecessem anônimas, é claro), para entendermos bem concretamente como existem nuances dentro das relações.

Por isso, categorizei os relacionamentos em quatro tipos. Irei compartilhar experiências e características que pude observar em meus estudos sobre cada um deles. Dessa forma, você terá bastante suporte para identificar qual desses tipos se encaixa melhor na relação que você vive hoje, para saber como aprimorá-la rumo ao seu relacionamento ideal.

Hoje, especificamente, vou falar sobre os relacionamentos maravilhosos. Para isso, vou contar a história do casamento entre R. e E.:

R. é uma mulher incrível! Ela é dentista e está fazendo uma transição de carreira para ensinar pessoas a serem as melhores mães que podem ser. Eu tenho uma admiração profunda por ela! Tive a oportunidade de conviver com R. e seu marido, E., em vários cursos em que os ajudei nos últimos anos. Eles têm uma gentileza linda de se ver no modo como um trata o outro: os dois têm uma autoestima elevada, sabem se valorizar, valorizam um ao outro mesmo nas pequenas coisas. Ele, por exemplo, trabalha com cursos e treinamentos na área de liderança; ela, por sua vez, apoia-o cuidando de toda a organização de impressão de materiais, coffee-breaks e todos os outros detalhes que envolvem esse tipo de curso.

É interessantíssimo ver que, mesmo palestrando para grandes líderes, empresários, e por aí vai, ele sempre para, no final de cada módulo – manhã, tarde ou outros períodos – e pergunta para a esposa (ou para quem mais estiver ajudando) o que ela achou, o que poderia melhorar, além de pedir sugestões e ser muito aberto com as integrantes do curso. Eu acho isso incrível! Ele é um ótimo homem; ele não precisava fazer isso, mas ele conta com ela.

Esses dias eu vi um post dele no Facebook falando sobre os ingredientes para um relacionamento que, para mim, chama-se SuperPower. Ele falava: “encontre uma mulher com quem você tenha mais afinidades do que diferenças. Depois disso, você deve envolvê-la nos seus planos de vida”. Então, eu comentei que ela certamente fez a mesma coisa com ele!

Uma das histórias que eu conheço sobre eles, por exemplo, é a de que ele não era propenso a ter um filho, enquanto que, para ela, ter um filho era um sonho. De fato, nas postagens da R. no Facebook, ela está sempre falando do amor que tem pelo F., filho deles. Quando R. e o marido conversaram sobre a questão, ela se posicionou dizendo que o amava, mas que não estaria com ele se não pudesse viver o sonho dela. Eu achei isso lindo, porque, ao mesmo tempo em que ela não abriu mão do próprio sonho, também deu espaço para ele rever o assunto segundo o ponto de vista dela. Ela não abriu mão de seu sonho pessoal para viver um relacionamento em que ela tivesse que negar ela mesma.

Em outra oportunidade, eles estavam para decidir onde iriam morar, se seria na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, ou em Vila Velha, a cidade ao lado. Ele morava em Vila Velha e ela morava em Vitória. Então, eles sentaram para ver os prós e contras de cada uma das opções juntos: o principal argumento do E. para morar em Vila Velha era o de que Vila Velha tem praias mais limpas do que Vitória, já que Vitória tem um grande porto. Em seguida, a R. rebateu: “E quantas vezes você foi à praia no últimos 6 meses?”. Ele não tinha ido nenhuma vez. A única coisa que ele fazia, com frequência semanal, era andar de bicicleta na orla – e isso ele teria também em Vitória. Assim, ela conseguiu inspirá-lo a construir a família deles em Vitória em vez de ir para Vila Velha.

Eu achei incrível essa capacidade de ouvir o outro e de criar novas soluções juntos! Enfim, esse é o tipo de relacionamento em que eu me inspiro. Quando eu falei com a R. que eu iria fazer alusão ao relacionamento deles como o relacionamento maravilhoso que eu vejo que é, ela me disse: “Giu, nós temos diferenças, tá? Não é nada idealizado, mas eu acredito que o que realmente difere da maior parte dos relacionamentos é que a gente sabe administrar nossas diferenças. A gente sabe gerenciá-las, e é por isso que temos resultados tão diferentes da maioria”.

Este é o relacionamento ideal! Nele, as duas pessoas se dão o direito de serem quem são e se sentem à vontade para falar o que pensam porque os dois sabem se comunicar com respeito e valorizam um ao outro (além de valorizar a si mesmos, é claro).

Por isso, acredito que a maior parte de nós mulheres realmente ansiamos para construir um relacionamento ma-ra- vi-lho- so!:

1. Respeito – Costumo dizer que onde não tem respeito, não tem amor ou confiança nem nenhum outro valor humano e que o respeito a individualidades, a liberdade de ir e vir e de cada um tomar as próprias decisões é a base para construirmos relações duradouras e ma-ra- vi-lho- sas!

2. Amor – Os dois possuem autoestima elevada e se sentem bem com seus próprios corpos e personalidades, sem ficar desmerecendo um ao outro em nenhum ponto;

3.Companheirismo – Ambos têm planos próprios de crescimento, seja pessoal ou profissionalmente, onde um apoia o outro – tanto em termos de divisão de tarefas domiciliares quando em termos financeiros – e tomam decisões relevantes para o futuro em conjunto, além de estarem sempre projetando novas atividades interessantes em conjunto;

4. Cumplicidade – Há um clima de confiança para cada um se expressar livremente e, inclusive sexualmente sentem-se livres para conversar sobre sexo divertida e tranquilamente.

Para quê ter um relacionamento “bom” ou “mais ou menos” se podemos descobrir formas de tornar nosso relacionamento maravilhoso? Não estou falando de idealizações sem fundamento real. Nada é “perfeito”, completo ou estático, não! Pelo contrário: está em constante movimento, e, ao mesmo tempo, num nível muito melhor, tendo alcançado um patamar em que grande parte das diferenças já foram administradas. Este é o relacionamento exemplar, que vamos usar aqui como parâmetro para comparar os outros tipos de relações não tão boas assim.

No próximo artigo, veremos outro tipo de relação, não tão boa, mas infelizmente mais comum do que esta que mencionamos agora. Com essa exposição inicial, espero ter mostrado a você como é possível ter um relacionamento plenamente saudável! É o que todos e todas nós desejamos, não? Por isso, nos textos seguintes, iremos refletir sobre outros tipos de relacionamentos e descobrir algumas alavancas para chegarmos no nível Super Power de Relacionamento que todos podemos chegar e que é bom para todos. Aguarde – semana que vem porque vêm muita coisa boa por aí!

De coração para coração,
Giulianna Scarpati

Giulianna Scarpati é Socióloga por formação, Terapeuta e Coach por vocação e escritora por teimosia. Contatos:giuliann.scarpati@hotmail.com

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