[Resenha] O Vilarejo – Raphael Montes 1


Livro: O vilarejo
Autor: Raphael Montes
Projeto gráfico da capa e miolo: Rafael Nobre / Babilônia Cultural Editorial
Ilustrações: Marcelo Damm
Editora: Objetiva
Ano:  2015
Páginas: 93
ISBN: 978-85-8105-304-2

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Livro de terror para deixar os mestres do gênero tremendo de medo! Esse é daqueles que você lê e depois não dorme uma semana inteira. Simplesmente adooooooro! Não curto filme de terror, mas amo livros do gênero. Não para ler um seguido do outro, diga-se de passagem. Se a gente fica levando susto a todo o tempo, acaba acostumando 🙂 , então perde a graça, você não acha? É como morar na frente de um parque. Você vai uma vez, duas vezes, três vezes. Depois enjoa. Então, pego onda no terror só de quando em quando. Gosto de variar.

O livro traz sete histórias, sete contos, todos com finais surpreendentes. Eu li cada conto segurando a respiração, quase perdendo o fôlego, sem conseguir adivinhar o que vinha para o final.  E olha que sou craque na “arte da adivinhação de finais”, viu? Cada conto narra a história de um dos habitantes de um vilarejo esquecido pelo mundo, em um lugar gelado. Não há comida, as pessoas andam morrendo de fome, de inanição e também assassinadas. Há alguém dando uma forcinha para a Dona Morte, ajudando essa senhora sinistra a levar embora os habitantes do local. Cada conto é associado a um demônio e cada demônio a um pecado capital: 7 contos, 7 demônios, 7 pecados capitais. Leia com um balde na mão, caso seu estômago resolva dar umas reviradas básicas. Raphael Montes escreveu tão bem que sentimos repulsa, medo, nojo, apreensão, tudo isso junto e misturado. Há homens pedófilos e que gostam de meninas obesas, assassinatos, relações agressivas e finais inacreditáveis.

Os contos se interligam através de seus personagens. São histórias independentes que formam um todo coerente no final. É como se estivéssemos lendo um romance, cada capítulo sendo formado por um conto, com seu início, meio e fim. Há pontos de tensão em todos os contos, obviamente.

Outro dos pontos bacanas do livro é o prefácio, no qual Raphael simula não ser o autor do livro. Sim, o prefácio é bacana. Aposto que você nunca lê prefácios, não é? Passe a ler a partir de agora. Nele, o autor se coloca como tradutor de manuscritos escritos em um língua morta, o Cimério. Segundo a narrativa, certo amigo do autor e dono de um sebo em Copacabana, no Rio de Janeiro, teria adquirido um lote de 7.000 livros de uma senhora falecida aos 102 anos e, entre os livros, existiriam três cadernos escritos em língua estranha, diferente de tudo que conhecemos. Fuça daqui para tentar devolver os manuscritos aos familiares da senhora morta, fuça dali (fuça é ruim né? 🙂 Eita palavrinha feia!), Raphael Montes teria permanecido com os manuscritos e feito a tradução para nossa língua. Eles estavam recheados de histórias de terror, acompanhadas de desenhos assustadores feitos com giz de cera. Os manuscritos fariam referência a um tal Peter Binsfeld, padre demonolgista alemão, que teria vivido no século XVI. Esse padre seria o autor da teoria que existiriam sete demônios ou Sete Reis do Inferno, cada um responsável por invocar um pecado capital. Aqui começam os contos ligados a Belzebu, Leviathan, Lúcifer, Asmodeus, Belphegor, Mammon e Satan.

Uma das mensagens do livro – ou melhor, uma das mensagens que eu tirei do livro e isso não quer dizer que o autor tenha desejado explicitar essa ideia – é a de que não devemos nos basear nas aparências. Tudo que parece ser, não é. Nossos sentidos nos enganam. As pessoas nos enganam e podem esconder segredos escabrosos. Agora é a deixa em que você ouve aquela risada macabra dos filmes de terror: Uahahahahaha! 🙂

E as ilustrações? Belíssimas! Elas ajudam a criar o clima de terror. Há “manchas de sangue” nas páginas do livro e personagens desenhados de maneira sombria. Muito capricho em tudo.

Eu gostaria de comentar um por um dos contos, mas não posso né? Vou acabar dando muito spoiler e o povo não curte. Claro, são contos pequenos. Se eu for contar a história, para que faça sentido, vou entregar o ouro para os bandidos. Melhor não.

De resto é dizer que recomendo a leitura.

Beijos e me ligue!


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