[Resenha] Os Sete – André Vianco


Livro: Os Sete
Autor: André Vianco
Editora: Aleph
Ano:  2016
Páginas: 432

Sinopse: Uma caravela portuguesa de cinco séculos é resgatada de um naufrágio no litoral brasileiro. Dentro dela, uma misteriosa caixa de prata esconde um segredo; sete cadáveres aprisionados, acusados de bruxaria. Apesar das advertências grafadas no objeto de prata, a equipe do departamento de história da Universidade Soares de Porto alegre decide violar a caixa para estudar os corpos. Afinal, que perigo poderiam oferecer aqueles sete cadáveres? Nenhum. Mas depois que o primeiro deles acorda…”

Os Sete é uma fantasia que envolve vampiros, lobisomens e zumbis. Era para ser, imagino, um thriller dos mais eletrizantes, um livro de terror. No entanto, não me deixou tensa não. Talvez seja comigo a coisa. Talvez esse tipo de fantasia não crie, em mim, um efeito assim tããão poderoso. Isso não quer dizer que eu não tenha gostado. Gostei, e muito. Passei boas horas da minha semana lendo e me divertindo. O livro é agradável de ler, ter uma trama rápida, que não se arrasta, também tem humor. Só não me assustei. Não fiquei tensa como costumo ficar lendo Stephen King. O livro, enfim, foi uma grata surpresa e gostei do estilo de André Vianco.

André nos apresenta, em Os Sete, um grupo de vampiros portugueses que ficou encerrado em uma caixa de prata por mais de 500 anos. Quando são libertados de sua clausura, sem querer, pelos amigos mergulhadores Tiago e César, muitas confusões começam a acontecer. Os vampiros são maus, matam, machucam, aterrorizam Porto Alegre e também a pequena praia de Amarração, lugar fictício criado pelo autor e localizado próximo à capital gaúcha.

Cada vampiro tem um nome “civil”, pelo qual é conhecido em seu grupo, e também um poder especial, além dos poderes comuns aos vampiros (grande velocidade, força descomunal, ouvidos que escutam longe). Guilherme, o primeiro vampiro a “acordar”,  também é chamado de Inverno. Seu poder tem relação com essa estação do ano. Mais não posso contar. Aparentemente, este é o líder de todo o grupo. Há também Manuel (O Acordador), Baptista (Tempestade), Augusto (Lobo),  Miguel ( O Gentil), Fernando (Espelho) e outro, conhecido apenas por Sétimo. Esses poderes especiais são utilizados em momentos diferentes na história, dando ritmo a mesma.

Os diálogos entre os vampiros são hilários. Eles tem um modo de falar ingênuo, diferente. Alie a isso o fato de terem sido colocados em um mundo “moderno”, diferente do mundo que conheciam no ano de 1500, então tenha uma ideia do que estou falando. A luz elétrica os impressiona muito, assim como os carros, trens, aviões. É tudo deslumbrante, colorido. Os vampiros têm pressa em realizar alguns objetivos em Porto Alegre e Amarração (não, não posso contar que objetivos são, porque aí estrago a graça da leitura, né?), porque querem retornar logo a Portugal, seu país de origem, e ao castelo do D’Ouro, onde residiam. No entanto, perdem tempo observando as novidades desse mundo. Guilherme e Manuel também perdem tempo discutindo, trocando sopapos vampíricos. Brigam como se fossem irmãos, também se ajudam como se fossem irmãos.

Achei engraçadíssimo ler sobre a USPA, universidade fictícia criada por André, situada em Porto Alegre. Como resido justamente em Porto Alegre, dei gargalhadas lendo a respeito de algo que nem de longe existe aqui. A USPA é uma universidade de ponta, com recursos infinitos, pesquisadores incríveis e em Porto Alegre não temos nada disso. Temos boas universidades, bons pesquisadores, pouquíssimos recursos. Não era para ter humor nisso, mas não pude deixar de rir. Desculpe, André. 🙂 Fico esperando ver toda a tecnologia que você descreveu no livro em breve…

Mas entendam que isso não é uma crítica ao autor. André provavelmente não conhecia Porto Alegre, nem o sucateamento de nossas universidades, por isso criou uma cidade de ficção, do seu jeito. E ok, funcionou. Não tem nada de errado nisso. Apenas achei engraçado. André também ambienta a trama em Osasco, cidade onde vive em São Paulo, inclusive citando a rua Dona Primitiva Vianco, inspiração para seu nome artístico.

No livro também há romance, há amor, há grandes laços de amizade. O final teve um detalhe que me surpreendeu bastante e que me deixou muito intrigada, querendo ler a continuação. Sétimo já está comprado!

Os Sete foi o primeiro livro de André, lançado em 1999 de forma independente. Depois de uma demissão, o escritor sacou seu FGTS e custeou 1000 exemplares do livro, todos vendidos por ele mesmo. Pois não é que fez sucesso e um ano depois foi relançado pela editora Novo Século? Hoje André Vianco é considerado um dos melhores escritores nacionais de terror.  Não é bacana saber que uma iniciativa arriscada deu tão certo? É aquela coisa: se você tem um sonho, mexa-se e faça-o acontecer. Risco há. Calcule os seus e chute o medo para longe. Só tenha medo de ter medo, porque ele paralisa. Vença os seus, como André venceu os dele.

Leia aqui uma entrevista com o autor.

Beijos e me liga!

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