[Resenha] Paciência, de Daniel Clowes


Ã…Como vou dizer…O…É…Me sinto embaraçada em dizer que…Não! Não indico, não gostei, não para tudo a que diz respeito a essa graphic novel. Me perdoem os seus fãs. Talvez eu não saiba realmente apreciar esse tipo de arte. Talvez outras tantas coisas. E é aquela coisa, né? Gosto a gente não discute: lamenta-se. Eu tenho o meu, você tem o seu e está tudo bem. Então, para o meu gosto, Paciência já concorre aos piores do ano e isso que o ano apenas começou.

O argumento prometia: homem apaixonado pela esposa, que tem um passado obscuro. Ela engravida e começa a pirar, achando que precisa contar para ele tudo que havia passado na vida, já que ele era um bom homem e não merecia ser enganado. Ele, por sua vez, estava sofrendo porque havia mentido que tinha um emprego bom, o que não era verdade. Enquanto que a moça chamada Paciência (sim, horrível o nome e não entendi o seu propósito) achava que o marido trabalhava em um escritório e seria promovido, na verdade o gajo batia pernas na rua distribuindo panfletos. Ok, tudo bem, tudo bom, até que um dia o rapaz chega em casa e encontra a moça morta, assassinada. A polícia é chamada, ele é considerado o único suspeito, é preso e começa a cumprir pena, até que o soltam por falta de provas. O homem está um caco e promete procurar o assassino da esposa, seu único amor.

O tempo passa e nada de nosso homem, chamado Jack Barlow, encontrar pista alguma. Há indícios aqui, outros ali, mas nada de concreto. Até que…Adivinhem? Ele encontra um homem que tem uma máquina do tempo. Ele, então, volta ao passado para descobrir quem matou a mulher e para tentar evitar que o fato ocorresse. Nesse espaço-tempo fica conhecendo o passado da esposa.

Esse é o argumento. Poooorém, achei a história mal desenvolvida. Pula-se de um lugar para outro, do presente para o passado e de novo para o presente  e para o futuro de forma esquisita.  Há excesso de palavrões, desnecessários. E olhem que não sou uma santa não! Não sou moralista, xingo pra caramba, uso tudo que vocês possam imaginar :). O que quero dizer é que basicamente o autor usou os palavrões para se expressar e não outra “qualidade” de palavras, como se as pessoas só se comunicassem daquela forma. Enfim, não gostei.

Há, também, a descrição de pensamentos que para mim não fazem sentido algum. Em vários e vários e mais outros tantos momentos, há descrições como essa abaixo:

“Tudo que sei é que, se eu não tivesse essa força me impelindo, meu corpo teria colapsado numa nuvem de entulhos elementais como a porra de um castelo de areia depois de um terremoto”.

Hein? Para você faz sentido? Então me explica, porque para mim não faz.

Também achei muito esquisito o autor introduzir alguns elementos de repente, como se nós soubéssemos o que são. Por exemplo: o marido descobre que é possível viajar no tempo quando segue o cara que construiu o aparato para isso. O homem está em um campo e, de repente, desaparece.Ok. Guarde isso. Mais adiante na história, nosso herói vai estar viajando no tempo com um aparato na mão. Mas isso não apareceu antes na história. Ele não pegou o aparato das mãos do cara que o fez. Como? É como matar um cara de tuberculose sem que ele tenha começado a tossir. As cenas não foram desenvolvidas na história.

Também não gostei de ver em alguns quadrinhos que a fala do personagem estava pela metade (o balãozinho cortado), como na foto abaixo:

Sei, é bobagem, mas me incomodou. Se estou lendo, quero poder ler tudo. É possível imaginar o que se diz? Sim, é. Maaas, para que cortar?

Gostei das cores, do traçado de Daniel Clowes.  As páginas são caprichadas. Enquanto material gráfico achei dez.

Enquanto história…Talvez uns 5. 

 

Sinto muito.

Beijos e me liguem!

 

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